Buscar a consolidação da gastronomia brasileira como diferencial turístico e criar um processo forte de associativismo. Esses são os objetivos da 2ªedição nacional do Festival Gastronômico Brasil Sabor, que acontece simultaneamente em 24 estados e no Distrito Federal de 17 de abril a 20 de maio. A meta dos organizadores é superar os números da primeira edição ocorrida no ano passado, quando participaram do Festival 1.050 restaurantes, com a venda de 115 mil pratos.
  O Festival Gastronômico Brasil Sabor é uma iniciativa do Ministério do Turismo, em parceria com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e o Sebrae.
  O coordenador nacional do Festival no Sebrae, Dival Schimidt, explica que nesta edição serão repetidas algumas ações que fizeram do evento um sucesso nos quatro cantos do País, como, por exemplo, a criação de um livro de receitas. ‘‘Ao final do festival serão reunidos os dois melhores pratos, criados pelos restaurantes participantes de cada estado, para serem disponibilizados em um livro de receitas escrito em três idiomas’’, explica Schmidt.
  Mas por que escrever o livro em três idiomas? A resposta está no número de acessos feitos por internautas de diferentes países ao site do festival. Foram computados, na edição passada, cerca de um milhão de acessos. Desse número, cerca de 20% foram provenientes dos Estados Unidos.
  A responsabilidade social será um outro aspecto positivo, sendo abordado pela segunda vez no festival. No ano passado, a cada prato vendido, nos diversos restaurantes espalhados pelo País, foi doado R$ 1 ao Programa Fome Zero. Ao todo foram arrecadados cerca de 116 mil reais, que tiveram um importante destino. ‘‘Queremos firmar a culinária brasileira no mercado interno e externo. A idéia é que a comida brasileira seja lembrada em qualquer parte do mundo, assim, como acontece aqui no Brasil, com a comida italiana, chinesa, japonesa, espanhola, entre outras’’, diz o coordenador. ‘‘Outro aspecto que queremos mostrar é que a culinária é um processo de difusão de toda a cadeia produtiva da gastronomia, que envolve desde a empresa que cria guardanapos até um pequeno produtor que produz a cachaça’’.
  Mercado promissor – Mas será que a parceria turismo e gastronomia realmente dá certo? Muito. Recentemente, o IBGE, em parceria com a Embratur, divulgou o estudo ‘‘Economia do Turismo: análise das atividades características do turismo’’. A pesquisa só veio reafirmar a força que o turismo, associado à gastronomia, tem para o desenvolvimento do País.
  O estudo indica que as atividades relacionadas ao turismo corresponderam a 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2003, gerando R$ 31,1 bilhões de valor adicionado na economia brasileira. O Estado do Rio de Janeiro, que abriga alguns dos principais atrativos turísticos do País, ocupa o segundo lugar, com 20,15% da receita bruta do turismo brasileiro, ficando atrás de São Paulo, que concentra 43,3% da receita.
  A maior receita líquida do turismo em 2003 foi gerada pelo setor de alimentação, com R$ 23,7 bilhões. O segmento da alimentação destacou-se também no número de pessoas ocupadas, com 1,4 milhão de trabalhadores, e no montante dos salários pagos, com R$ 6,3 bilhões. E, a depender do incentivo do Sebrae, esses indicadores vão crescer cada vez mais.
  Por exemplo, em Salvador, os bares e restaurantes locais estão recebendo um reforço para melhorar cada vez mais os serviços prestados ao turista. Trata-se do ‘‘Programa Qualidade na Mesa’’, desenvolvido pelo Sebrae local e que busca a qualificação dos restaurantes e bares da capital baiana.
  O programa, que atualmente atende 40 estabelecimentos, atua de duas formas: com
o trabalho de
formação dos profissionais e a prática de alimentos seguros. Para este
ano, os restaurantes interessados em participar do Festival Gastronômico Brasil Sabor terão como principal requisito o certificado do ‘‘Programa Qualidade na Mesa’’.

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