Brasil promete reduzir taxas
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quarta-feira, 29 de maio de 2002
Sheila DAmorim Agência Estado 
Estocolmo O governo se comprometeu a reduzir a taxa de embarque cobrada nos aeroportos brasileiros para vôos fretados (charter), de olho nos cerca de 70 mil turistas que têm uma renda per capita superior a US$ 26 mil e que todos os anos deixam os Países Nórdicos (Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca) em busca de lazer e aventura em outros locais.
O valor cobrado nos aeroportos brasileiros, US$ 36, foi a maior queixa de representantes de agências de turismos e de companhias aéreas que participaram de uma rodada de negócios sobre turismo no Brasil, em Estolcomo. O governo brasileiro decidiu também instalar na região um escritório de negócios voltados especificamente para o turismo. A sede do escritório será em Estocolmo, na Suécia, informou o chefe do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty, embaixador Mário Vilalva.
A taxa de embarque representa cerca de 10% do custo da passagem para o Brasil num vôo fretado. É difícil explicar para as pessoas porque elas têm de pagar tanto para ir gastar dinheiro no País, argumenta Nils Melander, diretor de vendas do grupo sueco Mytravel, que engloba quatro grandes operadoras da região.
A reclamação já havia sido transmitida ao vice-presidente Marco Maciel durante sua visita à Noruega e Finlândia há uma semana. O vice-presidente se comprometeu a tratar desse assunto no Brasil. Um país que quer promover o turismo precisa estar atento a questões como esta, afirmou o embaixador Vilalva.
Atualmente, o destino preferido desses turistas tem sido Tailândia e Malásia, países que fizeram um intenso trabalho de divulgação entre as agências e operadores de turismo locais. O escritório será um importante ponto de apoio. Ele não será uma agência de viagem, mas um elo para realização de negócios entre empresas da região com o Brasil, comemorou Elim Saturnino Ferreira Dutra, embaixador do Brasil na Suécia, que já tem inclusive as instalações disponíveis para o escritório. O dinheiro necessário para promover eventos sobre o Brasil será do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty.
Ainda assim, os empresários comemoraram um acerto com uma empresa finlandesa para levar 4 mil turistas da região para o Brasil entre novembro deste ano e março de 2003. O destino será Camocim, no Ceará. Mostramos que não somos um país apenas de índios, macacos e jacarés, como pensam muitos deles. Temos ótimos locais, mas esse tipo de turista quer fugir dos grandes centros e, portanto, o programa é voltado para cidades mais tranquilas, explica Fernando Holanda, secretário de turismo do Ceará.
O escritório que deverá ser instalado na embaixada brasileira em Estolcomo é uma parceria com a Embratur, que, durante a viagem, procurou divulgar as áreas de ecoturismo e pesca esportiva como o grande atrativo para o público nórdico. Em 1998, fizemos um trabalho semelhante pela Embratur nos EUA e o resultado foi satisfatório. No ano passado, tivemos cerca de 3 mil americanos no Brasil relacionados com ecoturismo e pesca esportiva, destaca Paulo Lóes, diretor de projetos especiais da Embratur.
Segundo ele, esse turista é muito importante para o País porque, além de serem formadores de opinião, gastam bem mais do que a média. Nos cálculos do diretor da Embratur, eles gastam, em média, US$ 4 mil por semana, além do custo da passagem aérea. Esse não é um turista de massa, é um turista qualitativo. O turista convencional gasta, em média, US$ 1 mil por semana, diz Lóes.
Essa é considerada uma forma de tentar aumentar as receitas do País com o turismo. Nos últimos anos, com as mudanças na economia brasileira, o turista nacional tem viajado mais pelo Brasil, o que ajuda a equilibrar os gastos líquidos com viagens internacionais. O problema é que as receitas não crescem. Em abril, as receitas obtidas com viagens de estrangeiros ao Brasil somaram US$ 141 milhões, valor inferior aos US$ 154 milhões do ano passado. O escritório nos permitirá ter uma estrutura de divulgação nos países nórdicos, que têm um imenso potencial, destaca Lóes.
A repórter viajou a convite do governo da Suécia


