Brasil pode ter exposição de Dalí em 98
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segunda-feira, 26 de maio de 1997
Beatriz Velloso Agência Estado 
ReproduçãoDalí: exposição reunindo suas telas e esculturas pode vir ao Brasil no ano que vemO responsável pelos direitos autorais das obras do pintor Salvador Dalí veio ao Brasil, em abril, para estudar a possibilidade de trazer uma exposição do artista, provavelmente em 98. Robert Descharnes é o presidente da Demart Pro Arte B.V., empresa com sede em Genebra que possui os copyrights do espólio de Dalí até 2004, quando completam-se 100 anos de nascimento de Dalí, como diz.
Descharnes esteve em São Paulo e no Rio acompanhado pelo argentino Ernesto Texo, diretor da empresa Texo Art. A Texo já trouxe ao Brasil, entre outras, a exposição dos Tesouros do Kremlin (em 1988) e várias gravuras de Pablo Picasso (em 1986). Juntos, os dois estão em busca de museus e patrocinadores dispostos a abrigar uma mostra das obras de Salvador Dalí.
Quando se fala nesse pintor espanhol, é preciso ter cuidado. Existem centenas de quadros falsos de Dalí circulando pelo planeta. Robert Descharnes afirma ser o homem que ajuda a identificar as obras falsas. Posso garantir que, ao lado dos policiais que são pagos, sou a única pessoa no mundo que se ocupa de descobrir quadros falsos de Dalí.
Descharnes gosta mesmo é de falar do pintor. Jura ter vivido uma amizade de 40 anos com ele. Lembra as histórias de quando se conheceram - num cruzeiro, um amigo em comum me apresentou a Dalí e sua mulher Gala - , do filme que fez sobre o pintor mas nunca terminou, das centenas de fotos que tirou - que já viraram uma exposição no Museu Dalí de São Petersburgo, na Flórida (Estados Unidos). Conta ainda que salvou o companheiro quando o castelo medieval de Pubol (na Espanha, onde Dalí viveu com Gala) pegou fogo em 1984.
Ernesto Texo diz que as possibilidades são boas para que a mostra de Dalí chegue ao Brasil até 1998. Em São Paulo, o lugar mais indicado seria o Masp e no Rio ainda temos que procurar o espaço ideal, afirma. Ele diz que quer trazer cerca de 70 obras do espanhol, entre quadros, desenhos, esculturas e fotografias.
Como o argentino, Descharnes ouviu falar do sucesso das exposições de Rodin e Monet no Brasil - e Texo afirma que o francês é a pessoa certa para repetir o êxito nesta mostra de Dalí. Formado em arquitetura, Descharnes dedica-se integralmente à obra do amigo. Com seu conhecimento do artista e de sua arte, Robert Descharnes diz que montar uma exposição tradicional de Dalí é fácil. É só a gente trazer os quadros que todo mundo conhece e colocá-los numa sala, brinca. Seu desafio para uma exposição no Brasil seria fazer algo diferente. Gostaria de mostrar Dalí inteiro, com alguns trabalhos menos conhecidos, como as esculturas que ele fez na década de 60. Para isso, ele usaria obras emprestadas de museus, mas principalmente de coleções privadas.
Descharnes conta que, certa vez, o pintor confessou-lhe que gostaria de jogar os direitos autorais no fogo. Ele era assim, lembra. Dalí era mesmo uma figura muito polêmica e uma exposição tem de mostrar toda a sua personalidade, explica.


