O Brasil entrou definitivamente para o grande circuito mundial de shows. Quem nunca ouviu essa frase? Mas o que nem todo o mundo lembra de dizer é que o país, desde sempre, tem coração de mãe para artistas ''fim de carreira''.
Para músicos caídos em geral, o país é um paraíso: aqui eles fazem shows lotados, são bem pagos e recebem tratamento digno das celebridades que já foram. Robin Gibb, ex-membro do trio vocal Bee Gees, não se apresenta ao vivo desde outubro, quando cantou em países como Jordânia, Eslovênia e Líbano. Aqui no Brasil, fará um show em São Paulo com ingressos de até R$ 750.
Assim como a dupla Roxette, que virá à América Latina diretamente da Estônia, da Letônia e da Lituânia. Com a diferença de que aqui se paga bem melhor. Para seu único show na Ucrânia, que ocorre em 10 de março, com ingressos ainda disponíveis, as entradas custam de R$ 85 a R$ 106. Em São Paulo, ficam entre R$ 90 e R$ 350 e se esgotaram em cerca de duas semanas, o que fez com que fosse marcado um show extra. O Roxette não lança um álbum de inéditas há dez anos, ficou longe dos palcos entre 2002 e 2009 (devido a um tumor cerebral da cantora Marie Fredrikssom) e viveu seu auge de popularidade há 20 anos.
Exemplos não faltam de músicos que demoram anos para vir e, quando vêm, estão longe de sua melhor forma. Como a banda de glam metal Twisted Sister, que fez muito sucesso nos anos 1980 e se separou no final daquela década sem nunca ter tocado no Brasil. ''Estouramos antes do Rock in Rio (que teve sua primeira edição em 1985) e, naquela época, ninguém vinha para o Brasil'', relembra o vocalista Dee Snider. O Twisted Sister reatou em 2002 e só em 2009 estreou em palcos brasileiros. Sucesso de público, voltou exatamente um ano depois, mesmo sem lançar um disco de inéditas desde 2004.
Um exemplo ainda mais gritante é o do grupo irlandês Cranberries. Após ter feito muito sucesso nos anos 1990, a banda acabou em 2003. Quando o grupo se reuniu, no início do ano passado, adivinhe para onde veio: sim, para o Brasil, onde tocou pela primeira vez, em casas lotadas. Como se não bastasse, em outubro do mesmo ano voltou para uma turnê de seis shows.
Alguns gostam tanto da receptividade brasileira que chegam a vir para cá de mala e cuia. É o caso William Naraine, líder do Double You, ou de Marky Ramone, ex-baterista do Ramones, que chegaram a se mudar para o País e se apresentar por aqui em circuitos menores.

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