"Brasil Outros 500" fica em cartaz até domingo
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domingo, 23 de abril de 2000
Por João Luiz Sampaio 
São Paulo, 24 (AE) - Fica em cartaz de amanhã (25) até domingo, no Teatro Municipal, o espetáculo "Brasil Outros 500 - Uma Poop àpera", de Millôr Fernandes, que narra a história do País a partir de um ponto de vista bem-humorado e criativo. Poop
na definição do autor, é a abreviatura de Palavra, Olhar, Ouvido e Popular. Parte das comemorações oficiais pelos 500 Anos do Descobrimento, a opéra é uma co-produção da Arena Produções e da TV Cultura de São Paulo.
O espetáculo nasceu da iniciativa do produtor Luiz de Galvão, com vasta experiência na área musical. Entre as montagens de que participou estão o oratório "Colombo", as óperas "O Guarani", de Antônio Carlos Gomes, e "Aida", uma das principais obras do compositor italiano Giuseppe Verdi. Com a intenção de criar um espetáculo integrado às comemorações dos 500 Anos do Descobrimento sem, no entanto, perpetuar preconceitos e repetir velhas fórmulas, Galvão e o ex-governador do Distrito Federal Cristovam Buarque (PT) formularam um projeto em que a história do País seria analisada por meio de um olhar crítico e bem-humorado.
Millôr Fernandes foi, então, chamado para escrever o roteiro, e Toquinho, Paulo Sérgio Pinheiro e Wagner Tiso ficaram responsáveis pela música, composta originalmente para o espetáculo. A programação visual é de Ziraldo. Conflito - Millôr montou uma ópera em que, com seu humor sempre mordaz e anárquico, brinca com a história do País e com o imaginário do povo brasileiro. Na tônica do texto está o conflito entre o sonho - personificado no personagem Sonhador, interpretado pelo ator José Rubens Chachá -, e a crítica e a desilusão, pautadas no famoso jeitinho brasileiro, presentes nos comentários do personagem Tomé, interpretado por Sergio Rufino.
A primeira parte trata do momento da partida da esquadra de Cabral, na qual Sonhador e Tomé discutem o espírito aventureiro do homem português do século 16. Uma vez no Brasil, são lembrados o contato entre o europeu e o indígena e a influência da Igreja Católica na colonização, além de personagens como Pero Vaz de Caminha, d. Pedro I e Tiradentes.
Em seguida, "Brasil Outros 500" entra na história recente do País, fazendo referências a nomes como Getúlio Vargas
o presidente "que deixou a vida para entrar na história" e José Sarney, que "deixou a história para cair na vida". Também a queda do Muro de Berlim, o ex-presidente Fernando Collor, Paulo César Farias, o presidente Fernando Henrique Cardoso e até o charuto do presidente Bill Clinton são citados. Integração - A produção de "Brasil Outros 500" é um mosaico de elementos provenientes do teatro, dos musicais e da ópera, que dividem o palco com efeitos visuais, projetados em um telão no fundo do palco. A concepção dos cenários ficou a cargo de Marcelo Oka e Luciene Grecco. Integrantes da equipe técnica da TV Cultura, eles montaram sete cenários - alguns utilizam ou fazem alusões a obras de artistas plásticos brasileiros como Tarsila do Amaral.
O diretor Roberto Lage, que baseou toda a montagem nos elementos presentes no texto de Millôr, procurou integrar à movimentação cênica a música incidental de Wagner Tiso e as canções de Toquinho e Paulo Sérgio Pinheiro, apoiadas em melodias populares. A interpretação musical é da Sinfonia Cultura, sob a regência do maestro Abel Rocha. Também participam do espetáculo os cantores do Coral Paulistano, com destaque para a contralto Sílvia Tessuto, comandados pelo experiente maestro Samuel Kerr. Serviço - "Brasil Outros 500 - Uma Poop àpera". De Millôr Fernandes. Direção de Roberto Lage. Música original Toquinho e Paulo César Pinheiro. Trilha incidental Wagner Tiso. Programação visual Ziraldo. Regência de Abel Rocha. Duração: 1h30. De terça a sábado, às 21 horas; domingo, às 19 horas. De R$ 20,00 a R$ 100,00. Teatro Municipal. Praça Ramos de Azevedo, s/n.º, tel. 222-8698. Até domingo.


