Brasil marca presença em Cannes
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terça-feira, 14 de maio de 2002
Luiz Carlos Merten Agência Estado 
Cannes - Palma de Ouro, não. O Brasil não tem chance de receber o prêmio maior do 55º Festival de Cannes, que começa hoje, pelo simples fato de que nenhum filme brasileiro participa da competição. Mas o País participa da seleção oficial com Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, que passa no Palais e pode ambicionar o prestigioso prêmio da crítica, e também Madame Satã, de Karim Ainouz, que integra a mostra Un Certain Regard e, por tratar-se de filme de diretor estreante, concorre à Caméra dOr. A participação do País em Cannes 2002 não fica só nisso.
Walter Salles integra o júri, presidido por David Lynch, que vai dar a Palma de Ouro no dia 26 e Waltinho também vai mostrar o curta que co-realizou com Daniela Thomas. A Saga dos Guerreiros integra a programação da mostra paralela Quinzena dos Realizadores. Surgiu de uma proposta que a Société Française des Réalizateurs fez a Waltinho e a diretores de diversos países. Encomendou-lhes pequenos filmes para discutir a globalização. O diretor do admirável Abril Despedaçado recorreu à dupla de emboladores Castanha e Cajuzinho e, por meio de um plano-sequência, acrescido de algumas fotos fixas, valeu-se do improviso dos dois para satirizar a luta do cinema brasileiro contra a máquina de Hollywood. Outro curta brasileiro em Cannes será Um Sol Alaranjado, de Eduardo (Duda) Valente, que passa na mostra chamada de Cinéfondation. E a participação brasileira não termina aí.
Pela oitava vez, o Grupo Novo de Cinema e TV participa do Mercado do Filme, com 19 títulos da produção recente que serão exibidos em 30 sessões para compradores de todo o mundo. O grupo também está investindo em publicidade, com capas ou contracapas de publicações importantes. Três telões da Croisette também vão projetar, a cada hora, um comercial de 30 segundos sobre o cinema brasileiro. E o crítico Amir Labaki, criador do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, fechando a participação brasileira, está no júri da Fipresci, Fédération Internationale des Critiques Cinematografiques, que vai atribuir os prêmios aos filmes que participam da seleção oficial. Você pode achar que Karim Ainouz é mascarado. Afinal, ele diz que nunca quis concorrer à Palma de Ouro. Não vai concorrer mesmo, mas só o fato de seu filme Madame Satã integrar a seleção oficial, na mostra Un Certain Regard, já é uma vitória. Como Ainouz é estreante, seu filme concorre à Câmera de Ouro, que dá prêmios em dinheiro e serviços.


