Brasil mais perto do Pacífico
Curitiba - A Estrada do Pacífico, uma rodovia totalmente pavimentada com a extensão de 110 quilômetros, liga o Brasil ao Peru e à saída para o Oceano Pacífico. O trajeto também interliga as cidade acreanas de Brasiléia e Assis Brasil, ambas fronteiriças com a Bolívia, sendo que a última ainda possui limites territoriais com o Peru. Atravessar a Ponte da Tríplice Fronteira, de Assis Brasil a IÀapari, de fato, é o caminho mais curto para se chegar ao Pacífico.
Outro projeto arquitetônico, desta vez, semelhante ao Golden Gate, em São Francisco (EUA), a Ponte Internacional Brasil/Bolívia Wilson Pinheiro, mais conhecida como ''Ponte da Amizade'', uniu os dois países, separados pelas águas do rio Acre e Igarapé Bahia, e incrementa o intercâmbio cultural e comercial entre Brasiléia e a cidade boliviana de Cobija. Chegar até o Oceano Pacífico por este trajeto, certamente não é a melhor opção, já que a Bolívia não tem o mar e possui rodovias de difícil trafegabilidade até o Peru.
De acordo com a Secretaria de Turismo do Estado do Acre, Brasiléia é uma cidade arborizada, bem cuidada e que dispõe de boa rede hoteleira e de restaurantes, parques ecológicos e balneários. A infra-estrutura ainda conta com aeroporto de Cobija com vôos diários para Cuzco - uma opção a mais de turismo. Dois eventos também atraem turistas e divertem a população local; o ''Carnavale'', carnaval fora de época, no mês de julho, e o ''Festival da Castanha'', em outubro.
Distante 342 quilômetros de Rio Branco fica Assis Brasil, cidade com um pouco mais de três mil habitantes e posição geográfica estratégica na fronteira tri-nacional Brasil-Bolívia-Peru. A Reserva Extrativista Santa Quitéria, uma importante unidade de conservação de uso integral para manejo de produtos agro-florestais, é destaque do município, assim como a Estação Ecológica do Alto Acre.
Seja em Assis Brasil ou em Brasiléia, a diversidade gastronômica apresenta influências dos países vizinhos. Além de pratos herdados da culinária nordestina e indígena, como tapioca com castanha, tacacá, munguzá, carne de sol, baião de dois e pato ao tucupi ou à cabidela, um leque de comida típica andina diversifica a cozinha local - e o vocabulário também: majau (prato à base de arroz e carne), tujuré, masaco, saltenha (pastéis recheados com frango), patasca (caldo), chicha (bebida de milho fermentada) e mocochincho.
Cruzeiro do Sul e Xapuri são outras duas cidades acreanas que merecem atenção. Xapuri é considerada o berço da luta preservacionista em defesa das reservas naturais da Amazônia e terra do seringueiro e líder ecológico Chico Mendes - assassinado em 1988. Não à toa, o município possui diversos equipamentos públicos em homenagem ao seringueiro, como o Centro de Memória Chico Mendes, a Fundação Chico Mendes, Usina de Benficiamento de Castanha Chico Mendes e o túmulo do seringueiro, no Cemitério São José.
Em Xapuri, vale ressaltar ainda as praias do Inferno e do Zaire, no Rio Acre, propícias para o banho e práticas esportivas, além dos seringais Pimenteira e Cachoeira, ambas reservas extrativistas ecológicas. Já Cruzeiro do Sul é o segundo município mais importante economicamente e em população do Acre. Localizada no extremo-oeste brasileiro, Cruzeiro do Sul foi fundada no início do século passado, à margem esquerda do Rio Juruá.
A riqueza hídrica é o maior adjetivo de Cruzeiro do Sul. O Juruá é navegável o ano inteiro, tem águas caudalosas e igarapés de águas escuras e límpidas, praias de areia branca, lagos e abundância de peixes. Para o Estado do Acre, a cidade é um dos maiores pólos de eco-turismo, até pela exuberante e inexplorada fauna e flora existente no Parque Nacional da Serra do Divisor. Cruzeiro do Sul é produtora de fumo de rolo artesanal, guaraná em pó e em xarope e da famosa e saborosíssima farinha de mandioca que ganha o nome da cidade. (F.G.)





