São Paulo - Dieter Kosslick, o todo-poderoso dirigente da Berlinale, tem anunciado em conta-gotas os filmes que integram a seleção de 2014. O festival será inaugurado dia 6 de fevereiro com o novo longa de Wes Anderson, "Hotel Budapeste". Ainda não se sabe se o Brasil vai participar da competição. Em anos recentes, o País venceu duas vezes o Urso de Ouro - com "Central do Brasil", de Walter Salles, e "Tropa de Elite", de José Padilha, em 1998 e 2008.
O que já se sabe é que o Brasil estará representado, sim - e por dois filmes -, em outra importante seção do próximo Festival de Berlim, o Panorama. Wieland Speck, o diretor artístico da mostra, já divulgou quase 20 filmes de sua seleção. São filmes dos EUA, de Taiwan, das Filipinas e de Hong Kong. Os brasileiros são os únicos representantes da América Latina, até agora. "O Homem das Multidões", de Marcelo Gomes e Cao Guimarães, foi livremente adaptado do conto de Edgar Allan Poe. No recente Festival do Rio, onde integrou a Première Brasil, os diretores já anunciavam que iam tentar levar o filme a Berlim. Conseguiram.
"O Homem das Multidões" conta a história de um personagem que é o oposto disso - um solitário maquinista do metrô de Belo Horizonte, interpretado por Paulo André.
Daniel Ribeiro dirige o outro longa brasileiro do Panorama 2014. "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" é capaz de confundir o espectador que já viu o curta "Eu não Quero Voltar Sozinho", de 2010. O título próximo não é mera coincidência. O projeto já existia como longa, mas até para conseguir levantar os recursos, o diretor de São Paulo fez o curta, meio que a título de experimentação. Foi um sucesso. "Eu não Quero Voltar Sozinho", que conta a história de um garoto cego - interpretado por Guilherme Lobo -, teve quase 3 milhões de acessos no YouTube e o número continua crescendo.
Vai aumentar ainda mais agora que a versão esticada vai para um dos mais importantes festivais de cinema do mundo. Daniel Ribeiro já esteve em Berlim, no Talent Campus. Ele explica o título: "O personagem reafirma seu desejo de independência. No outro filme era muito protegido. Desta vez, quer voltar sozinho para casa." Sobre filmar a cegueira, ele diz: "Não existem regras, mas Guilherme (o ator) se impôs de cara com um olhar vazio muito interessante que ele construiu."

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