Brasil é cult na França
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domingo, 14 de junho de 1998
Agência Estado 
ReproduçãoCena de Coração Iluminado, de Hector Babenco: filme exibido no Festival de Cannes será mostrado na Cinemateca FrancesaNo quadro da participação do Brasil na Copa do Mundo, realiza-se na França a grande manifestação CEst lHeure du Brésil (É a Hora do Brasil), com múltiplas facetas do País. Há espaço para o cinema. A partir de quarta-feira, ocorre uma semana de projeção de filmes brasileiros no Théâtre National de Chaillot, no Trocadéro. É uma das três salas oficiais da Cinemateca Francesa, localizando-se no Palais de Chaillot.
A promoção é da agência Fischer, Justus Comunicação Total, associada ao governo brasileiro, por meio do Ministério da Cultura. Os filmes foram selecionados por Eric Nepomuceno, secretário de Intercâmbio e Projetos Especiais do ministério.
ReproduçãoCena de O Quatrilho, de Fábio Barreto: uma das melhores produções do cinema brasileiro integra mostra em ParisOs franceses, que não se cansam de elogiar as qualidades de Ronaldô - assim mesmo, com acento no final - poderão agora, entre um jogo e outro, ver também algumas obras expressivas do ressurgimento do cinema brasileiro. O evento começa com Como Nascem os Anjos, de Murilo Salles, que mostra o Brasil real, representado por dois pivetes, invadindo uma mansão da elite.
Os demais filmes que integram o programa são: O Homem Nu, de Hugo Carvana, baseado no original de Fernando Sabino que já havia sido filmado por Roberto Santos nos anos 60; O Quatrilho, de Fábio Barreto, que representou o cinema brasileiro no Oscar, há dois anos, e O Baile Perfumado, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, representante máximo da tendência chamada de árido movie, com influência do beat mangue.
Outros títulos: Tieta do Agreste, de Cacá Diegues, adaptação do romance de Jorge Amado que já esteve em cartaz nos cinemas parisienses; O Sertão das Memórias, de José Araújo, sobre o reenconbtro do cineasta com suas raízes nordestinas; Pequeno Dicionário Amoroso, de Sandra Werneck, uma comédia sobre a arte da conquista, com forte colorido carioca, e Coração Iluminado, de Hector Babenco, que representou o Brasil no recente Festival de Cannes.
O oitavo filme do programa é um clássico do cinema brasileiro: Memórias do Cárcere, de Nelson Pereira dos Santos, baseado no romance de Graciliano Ramos. Memórias do Cárcere goza de excelente reputação na França, onde foi premiado no Festival de Cannes, nos anos 80.
É, portanto, anterior à retomada da produção brasileira e das tendências mais recentes do cinema nacional, que dão o tom da programação.
Malu Oliveira é uma das responsáveis pela mostra de cinema brasileiro. Ela esclarece que o Théâtre National de Chaillot tem 700 lugares, havendo a expectativa de que o evento consiga ter casa cheia durante toda a sua realização. Serão 13 sessões ao todo. Os filmes foram escolhidos para mostrar múltiplos aspectos da realidade brasileira contemporânea. Pretendem ser o cartão de visita do cinema do Brasil no país da Copa.


