O diretor de ‘‘Policarpo Quaresma - Herói do Brasil’’, Paulo Thiago, já arregaçou as mangas novamente. Agora a idéia é fazer uma adaptação do conto ‘‘O Caso do Vestido’’, do poeta Carlos Drummond de Andrade. Desde que decidiu escrever a sinopse, Paulo tem trabalhado em média oito horas por dia. Com base na sinopse escrita inicialmente por Carlos Herculano Lopes - autor de romances como ‘‘Sombras de Julho’’ - a história é ambientada na cidade de Diamantina nos idos de 1950. Assim como fez com ‘‘Policarpo Quaresma’’, Paulo pretende fazer um paralelo do filme com a atual realidade brasileira. ‘‘O Brasil é o único assunto que me interessa’’, exalta o diretor.
Mas não é a primeira vez que o cineasta utiliza ‘‘O Caso do Vestido’’ como base para um filme. Há mais de 30 anos, inspirou-se no mesmo conto de Drummond para filmar o curta ‘‘Baixada Fluminense’’. ‘‘Desde então sonho em fazer outro trabalho com o conto’’, anima-se Paulo Thiago. Ele faz questão de afirmar que não tem a pretensão de fazer de seus filmes uma espécie de ensaio sociológico. ‘‘Sou apenas um contador de histórias’’, define-se.
Por que o brasileiro ainda tem um certo preconceito contra filmes nacionais?
Quando são vistos, os filmes nacionais cativam o público, que logo identifica-se com a realidade de seu País, de sua cultura. Mas a resistência ainda não foi quebrada porque a situação de distribuição e exibição dos filmes é inteiramente voltada para o cinema americano. No País existem seis grandes empresas de exibição, que controlam a maior parte dos cinemas rentáveis. Quatro grandes distribuidoras americanas, interligadas com esses exibidores, caracterizam uma nítida situação de oligopólio. São quase 300 filmes americanos que entram no Brasil por ano, com altas verbas publicitárias em torno de US$ 800 mil.
O que fazer então para atrair o público brasileiro?
Para quebrar essa estrutura, o cinema brasileiro tem de ter uma política forte do governo na área de exibição e distribuição. Ele se preocupa apenas em subsidiar a produção, o que é uma atitude irresponsável: são milhões de dólares investidos na produção e esses filmes produzidos têm uma dificuldade gigantesca de penetração no mercado. O que há é uma ausência de política governamental. Filmes como ‘‘A Guerra de Canudos’’ e ‘‘Central do Brasil’’, que tiveram milhares de espectadores, só conseguiram ter esse público porque investiram US$ 1 milhão em publicidade. Ótimos filmes como ‘‘Os Matadores’’ e ‘‘O Baile Perfumado’’ já não tiveram essa sorte e, por isso, quase não tiveram salas para ser exibidos.
Em recente entrevista, o diretor Walter Salles afirmou que no Brasil faltam bons profissionais na área cinematográfica. Você também acredita nisso?
Não concordo, temos ótimos profissionais. É o que possibilita que a gente faça filmes tão bons. Além do que, a mão-de-obra está tendo uma renovação. Há uma nova geração de fotógrafos, roteiristas, cenógrafos. O cinema nacional é a bola da vez e estamos absolutamente preparados para produzir filmes de qualidade internacional.
E como está a repercussão do filme ‘‘Policarpo Quaresma’’?
‘‘Policarpo Quaresma’’ é um filme de longo prazo, que ainda está começando a carreira. Acredito que, assim como o livro de Lima Barreto, ele também vai ser adotado pelo currículo escolar. Depois de representar o Brasil no Festival de Mar Del Plata, Policarpo participa em setembro do Festival de Toronto, no Canadá, e de Trieste, na Itália. E, logo depois, do Seminário do Cinema Brasileiro em Paris.

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