Branagh recria a vida em Frankenstein
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 1997
Ranulfo Pedreiro 
DivulgaçãoRobert De Niro em Frankenstein de Mary Shelley: provocando o repúdio da população e rebelando-se contra seu criadorAo estudar as correntes elétricas, o doutor Viktor Frankenstein foi, aos poucos, se afundando em teorias complexas e delicadas. Ele acreditava que, por intermédio da eletricidade, seria possível criar um ser semelhante ao homem. Impressionado com a idéia de dominar a vida, Frankenstein foi engolido pela ânsia de tornar-se criador e de compreender os segredos do universo.
Mas, ao construir um novo ser aos moldes humanos, Frankenstein infringiu as leis da natureza e foi perseguido pelo seu erro. A criatura, no início dócil, se tranformou ao conviver com o preconceito das pessoas que encontrou pela frente. Agoniado, o monstro voltou-se contra quem o criou.
Ao adaptar o livro Frankenstein, de Mary Shelley, para o cinema, o diretor e ator inglês Kenneth Branagh foi minucioso. Permaneceu fiel ao texto e estudou detalhadamente a origem da história. Para produzir o filme, contou com o apoio de Francis Ford Coppola, e Robert De Niro se tornou o protagonista - o ator chegou a enfrentar 12 horas de maquiagem para compor o personagem de acordo com a idéia de Branagh.
Frankenstein de Mary Shelley foi o primeiro filme americano do diretor, que acompanhou uma onda de fitas de terror bem-sucedidas, como Drácula de Bram Stoker - dirigido por Coppola - e Lobo - de Mike Nichols. Mesmo assim, a produção de Brannagh agonizou um fracasso de bilheteria após um investimento de US$ 35 milhões. O filme será exibido às 16h15 pela HBO.
Depois da folia do Carnaval, a programação da TV por assinatura preparou filmes interessantes para prender a atenção do assinante. O cotidiano de uma clínica psiquiátrica é retratado com bom humor em Paixões sem Freio, filme de Vincente Minelli estrelado por Lauren Bacall, Charles Boyer e Lilian Gish, que a TNT leva ao ar às 10 horas.
Karen Austin e Michael Brandon em Confissões Assassinas: mãe defende filho acusado de assassinato
Uma das melhores opções do dia é Sementes da Violência, clássico de Richard Brooks importante pelo contexto histórico. Os Estados Unidos assistiam, quando o filme estreou, em 1955, a uma verdadeira ascensão de jovens delinquentes. Brooks, ex-jornalista, trouxe a imagem do adolescente revoltado das ruas para o cinema e ainda questionou o sistema de ensino americano.
O filme dava destaque para um ator negro - fato polêmico na época -, Sidney Poitier, e trazia uma verdadeira bomba na trilha sonora: Rock Around the Clock, com Bill Halley e Seus Cometas, apresentada então pela primeira vez. A produção influenciou tanto os jovens do mundo inteiro que foi apontada como uma das causas da explosão do rock no final dos anos 50.
Quando chegou ao Brasil, a fita provocou as mesmas reações. Erasmo Carlos costuma dizer que, ao assistir Sementes da Violência pela primeira vez, tinha vontade de dançar nu no cinema. O filme - que a TNT mostra às 12h10 - ainda mantém a atualidade e traz a interpretação vigorosa de Glenn Ford no papel principal.
Às 20h30 a HBO exibe Confissões Assassinas, filme sobre um adolescente envolvido no assassinato de uma garota. Na presença de uma psicóloga, o rapaz confessa o crime. Alegando hipnotismo durante a sessão, a mãe do garoto entra na Justiça para que o relatório dos psicólogos seja alterado.
A madrugada reserva outro clássico. Com trilha sonora de Henry Mancini, Arabesque reúne Gregory Peck e Sophia Loren sob a direção de Stanley Donen. O enredo gira em torno de um professor americano que, ao decifrar um código secreto, se vê envolvido em uma trama para assassinar um príncipe.


