Braga elevou a crônica à obra de arte
Além das reedições de livros, das rememorações e debates por vir, "o fundador da crônica moderna" (segundo José Castello, autor do ensaio biográfico "Na cobertura de Rubem Braga") é o protagonista da exposição "O Fazendeiro do Ar", que será aberta no próximo dia 28, em Vitória (ES). Permanecerá até 26 de maio e no segundo semestre chegará a São Paulo e Rio de Janeiro.
Nascido em Cachoeiro do Itapemirim (ES) em 12 de janeiro de 1913, Rubem Braga começou a escrever em jornal aos 15 anos ("Correio do Sul", de Cachoeiro).
Rubem, que começou o curso de Direito no Rio de Janeiro e o concluiu em Belo Horizonte, em 1932, escreveu a crônica "O Conde e o Passarinho" ambientada em São Paulo, em 1935. O conde era Francisco Matarazzo.
"A chave do mistério da grande popularidade" de Rubem Braga é a simplicidade, segundo ele próprio sugeriu, ao lembrar que Camões escreveu com palavras comuns da língua portuguesa um dos versos mais belos ("A grande dor das coisas que passam"). Repórter de grandes jornais, apreciador da natureza, em especial dos pássaros, fundador de uma editora ('Sabiá') para publicar outros escritores, correspondente na Segunda Guerra Mundial, embaixador brasileiro no Marrocos foi Rubem Braga, que morreu no Rio de Janeiro, em 19 de dezembro de 1990.
Jamais imaginou não ser jornalista, conforme uma autodefinição resgatada por Fernando Morais em "Chatô, o rei do Brasil". Num conflito de opiniões em "O Jornal", que melindrou Alceu Amoroso Lima, Assis Chateaubriand (dono dos Diários Associados) interveio: "Seu Braga, o senhor está querendo arruinar o meu jornal. Como é que o senhor escreve uma crônica completamente idiota como essa?"
Rubem contra-argumentou à altura e saiu "batendo portas, pediu demissão". Alertado por um diretor, "jornalista brasileiro que brigar com Chateaubriand ou muda de profissão ou muda de país", Rubem manteve a decisão: "De profissão eu não posso mudar, que não sei fazer outra coisa. Do país também não posso sair, porque não tenho dinheiro".
E como já estava "cheio do Chateaubriand", mudava de Estado, iria para Recife, fazer o jornal da Aliança Nacional Libertadora (ANL). (W.S.)





