Brado interiorano
Depois de Dias Gomes, autor de tramas politizadas na teledramaturgia, como ''Saramandaia'', ''Roque Santeiro'' - escrita com Aguinaldo Silva - e ''O Bem Amado'', um dos teledramaturgos que mais seguiu a linha politizada nas novelas foi Benedito Ruy Barbosa.
Sempre tratando de questões do campo, como a reforma agrária, Benedito escreveu sobre os dramas do interior e a imigração italiana em suas novelas, sem nunca abandonar a posição política dessas questões. Em ''O Rei do Gado'', por exemplo, chegou a criar um personagem como seu alter ego. Era o Senador Caxias, vivido por Carlos Vereza, um personagem incorruptível. ''Se eu fosse político, seria igual a ele. Poderia até morrer de fome, mas nunca aceitaria essa corrupção em que vivemos. O povo sempre é roubado e nada acontece'', observa.
Na história, o personagem de Carlos Vereza era uma espécie de exemplo para toda a classe de políticos do país. ''Ele falava sobre os sem-terra com os deputados federais e senadores. Tanto que acabou assassinado na novela. Era a morte mais honesta que ele poderia ter'', afirma Benedito. Na época em que foi exibida, em 1996, a trama chegava a ser citada nos cadernos de política e economia dos jornais. (M.T./TV Press)





