Botero chega ao MON
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quarta-feira, 18 de maio de 2011
Equipe da Folha 
Curitiba - O Museu Oscar Niemeyer (MON) abre para visitação hoje exposição de um dos maiores artitas plásticos latino-americanos da atualidade, o colombiano Fernando Botero. As obras desse senhor de 80 anos, que divide seu tempo entre sua cidade de origem, Medellín, e Paris, na França, fazem parte de importantes coleções distribuídas em vários países. Botero é conhecido pelas formas gordas e bem humoradas de suas figuras humanas.
Porém, não espere ver dessa vez no MON o sentido satírico encontrado na maioria das obras de Botero. A exposição ''Dores da Colômbia'', que abriu ontem em Curitiba para jornalistas e um grupo de convidados, se destaca pela força pictórica do artista para descrever a violência sofrida pelo seu povo na Colômbia. Ele queria chamar a atenção do mundo e fez isso com seu próprio testemunho da história colombiana.
Os abusos sofridos pelo povo como consequência da ação de grupos guerrilheiros, políticos e paramilitares resultou no exílio de 1,5 milhão de colombianos nas últimas décadas. Embora retrate uma situação trágica de um período bem determinado, Botero criou as composições com pinceladas de cores vibrantes.
Os organizadores da mostra explicam que a série dialoga com uma corrente artística que vincula a arte à política. Dentro desse contexto, estão outros artistas representativos que imprimiram discurso e fatos históricos em suas telas. Francisco Goya com ''Desastres da Guerra'' e Pablo Picasso com ''Guernica'' recriam, a sua maneira, atos cometidos durante períodos de turbulência vividos em seus países. Botero fez a doação dessa coleção ao Museu Nacional da Colômbia e declarou à época: ''Não vou fazer negócio com a dor do meu país''.
A mostra reúne 67 obras, incluindo seis aquarelas, 36 desenhos e 25 pinturas, produzidos entre 1999 e 2004. ''Longe de pensar em benefícios econômicos, o artista quer que as obras pertençam à nação e sejam um convite à reflexão sobre as trágicas circunstâncias que temos enfrentado nas últimas décadas'', explica a diretora do museu colombiano, Maria Victoria Robayo, por meio da assessoria de imprensa do MON.
A exposição tem curadoria do próprio Museu Nacional da Colômbia, localizado em Bogotá e chega ao Brasil com o patrocínio da empresa aérea Avianca. O conjunto de obras faz parte do programa de exposições itinerantes que tem como um de seus objetivos fazer um apelo à consciência para evitar que os horrores da guerra se repitam, assim como desejava Botero - embaixador cultural da Colômbia no mundo.
É a segunda vez que a mostra vem ao Brasil. A primeira foi em 2007, quando ficou em exposição no Memorial da América Latina, em São Paulo. Em 2011, as obras já passaram por Brasília (DF) e depois de Curitiba seguem para o Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA).
Entre as obras mais conhecidas de Botero estão as releituras bem-humoradas e satíricas de ''O Casal Arnolfini'', de Jan van Eyck, e ''Mona Lisa'', de Leonardo da Vinci. Em ambas, figuras humanas são pintadas com a marca registrado do colombiano, a forma arredondada e estática.
Serviço
Exposição ''Dores da Colômbia''
Período - De 19 de maio a 14 de agosto
Local - Museu Oscar Niemeyer (Rua Marechal Hermes, 999).
Visitas - de terça a domingo, das 10 às 18 horas (venda de ingressos até 17h30).
Entrada - R$ 4,00 e R$ 2,00 para estudantes com carteirinha. Gratuito para grupos agendados da rede pública, do ensino fundamental e médio, para crianças até 12 anos, maiores de 60 anos e no primeiro domingo de cada mês.


