São Paulo, 29 (AE) - Canta-se a Mangueira, diz Sérgio Cabral, porque ela canta a vida maravilhosamente. É celeiro da grande arte popular do Rio de Janeiro - berço, por nascimento ou opção, de Nelson Cartola, Nelson Sargento, Carlos Cachaça, Nelson Cavaquinho, Geraldo Pereira, Xangô, Padeirinho, de Jamelão e Leci Brandão, do coração de Tom Jobim e Chico Buarque - foi um samba para a Mangueira o primeiro sucesso do portelense Paulinho da Viola. Feito, é verdade, em parceria com o mangueirense Hermínio Bello de Carvalho.
A Mangueira é o tema da edição de amanhã (30) do "Boteco do Cabral", no Sesc Pinheiros, em São Paulo. O Cabral do nome do projeto é o Sérgio, jornalista, compositor bissexto (co-autor de Os Meninos da Mangueira), biógrafo de Ari Barroso e Elisete Cardoso (e de Tom Jobim e Nara Leão, trabalho em andamento), autor da obra definitiva sobre a história das escolas de samba do Rio e um dos mais completos estudiosos da matéria. Seu trabalho de mais de 40 anos sobre o samba exigiu e exige ainda horas e horas na frente do computador, em bibliotecas, debruçado sobre coleções de antigos jornais e convívio boêmio com o objeto de estudo. "Boteco do Cabral" transporta para São Paulo o convívio boêmio. No bar montado no Sesc Pinheiros, Sérgio estará conversando com (e ouvindo histórias e músicas) Jamelão, Nelson Sargento e Leci Brandão. Acompanhando estarão os bambas Osvaldinho da Cuíca, Jorginho Cebion (percussão), Miltinho Tachinha (cavaquinho) e Clóvis (violão de sete cordas). Jamelão, nascido, em 1913, José Bispo Clementino dos Santos, natural do bairro de São Cristóvao, é uma das glórias mangueirenses e um dos maiores cantores de todos os tempos, não só de samba, mas também de samba. Até hoje é quem canta, no desfile do carnaval, o samba escola, na hora do desfile.
Leci Brandão, nascida em Madureira - onde fica o morro da Mangueira - e criada em Vila Isabel - terra de Noel Rosa - foi a primeira mulher a integrar uma ala de compositores de escola de samba - assumiu o posto honroso na Mangueira em 1972, e compôs "Quero Sim", "Deixa pra Lá", "Dignidade", "Me Perdoa", "Poeta", entre outros belíssimos sambas. Nelson Sargento, que nasceu em 1924 e foi batizado como Nelson Mattos, sargento que trocou a farda pelo samba, é autor de sambas-enredo que aumentaram o brilho da Mangueira na avenida dos desfiles e do hino que sempre será cantado pelos verdadeiros sambistas, "Agoniza mas Não Morre". O Boteco é só amanhã, mas garante a melhor conversa. Que começa e acaba em samba. Serviço - "Boteco do Cabral". Amanhã, às 21 horas. R$ 2,00 e R$ 4,00. Sesc Pinheiros. Avenida Rebouças, 2.876, tel. (011) 815-3999.

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