Paulo WolfgangPeões universitários: coragem para montar e garra para continuar os estudosDepois dos bichos-grilos, punks, góticos, skatistas e outras tantas tribos que já se viu por aí, a mais recente gang (melhor seria dizer tropa) de que se tem notícia são os cowboys universitários. Não se trata apenas de usar roupa de vaqueiro americano para ir à faculdade. Eles são cowboys de verdade, desses que montam em touro e cavalo bravo, mas para participar do circuito universitário, têm que estar na faculdade.
Ao contrário dos rodeios profissionais, o circuito universitário não oferece carros zero quilômetro de prêmio. Um campeão pode embolsar numa prova aproximadamente mil reais. Para alguns não é muita coisa, mas para outros, o suficiente para pagar algumas mensalidades da escola ou mesmo para se manter por algum tempo estudando fora de casa. O que todos têm em comum é a paixão pelo que fazem, a religiosidade e um sotaque caipira e arrastado que come consoantes. ‘‘Ino’’ e ‘‘cumeno’’, em vez de indo e comendo, por exemplo. ‘‘É o convívio com a peãozada da roça’’, explica a garotada.

Paulo WolfgangFivelão e óculos escuros: coisas de cowboy modernoRicardo Imperatriz, 20 anos e estudante do terceiro ano de Administração de Empresas, é campeão de bareback, uma prova de montaria importada dos Estados Unidos que se assemelha mais a uma modalidade esportiva. Ricardo participa de quase todos os rodeios do circuito - que esta semana está acontecendo em Londrina e termina amanhã no Parque de Exposições Ney Braga - e só falta quando tem que estudar para alguma prova. ‘‘A escola em primeiro lugar’’, diz. De olho no futuro, ele acha que o curso que escolheu tem tudo a ver com o seu esporte favorito e pensa em unir o útil ao agradável, criando a sua própria companhia de rodeios.
Agroboy, nãoRicardo e outros colegas odeiam ser chamados de ‘‘agroboys’’, uma espécie de cowboy urbano que nunca chegou perto de um touro ou de um cavalo, mas usa a indumentária necessária para impressionar as meninas. O verdadeiro cowboy não é ostensivo quando vai a festas e boates fora do seu meio. Prefere passar despercedido e guardar o chapelão para os rodeios e festas de peão. Nestas ocasiões, além do cinto com uma enorme fivela dourada, outro acessório imprescindível é o crucifixo, ou medalha do santo preferido.
‘‘É uma atividade arriscada, a gente pode se machucar feio, por isso todo mundo é muito apegado a Deus’’, afirma Guilherme Neves, 21 anos, estudante de veterinária. Além de Deus e Jesus Cristo, Guilherme é devoto da Virgem Maria. E quando se trata de meninas, namoro, essas coisas, ‘‘também prefere as virgens’’, confessa, meio encabulado, admitindo também que é ‘‘mais ou menos machão’’. Para ele, e muitos de seus amigos, ‘‘mulher tem que ser feminina e não deve se arriscar montando num touro’’.
Os jovens cowboys não estão muito preocupados se o presidente Fernando Henrique vai ou não aprovar as reformas administrativas, nem tampouco perdem o sono com questões existencialistas. Fiéis à vida que sempre levaram numa cidade de tradição agropecuária, como Londrina, adoram os animais e a natureza. Mas como, no fundo no fundo, todos os jovens se parecem, a tropa de cowboys adora uma festa (de peão, claro), com muito rocão (tudo que faça barulho desde que seja música sertaneja ou country), ‘‘fumo de naquiᑑ (o velho fumo de mascar), marruco (boi de rodeio) e mulher bonita.
Rodeio Universitário - No Parque de Exposições Ney Braga, em Londrina. Hoje, das 8 às 12 horas: Inscrições e Início da Prova do Laço (entrada franca). Às 14 horas: Prosseguimento da Prova do Laço. Às 20h30: Rodeio. Amanhã, das 8 às 12 horas: Prova do Laço (entrada franca). Às 14 horas: final da Prova do Laço. 20h30: Rodeio final.

mockup