O Festival de Dança de Londrina programa para hoje uma oficina original. Elizabeth Corso, consultora técnica da empresa Só Dança/Cecília Kerche, representada na cidade pelo Shop Ballet, estará à disposição dos interessados, das 15h30 às 17 horas, na Escola Municipal de Dança, para orientar sobre a melhor escolha em relação à sapatilha de ponta. Quem pensa que é tudo uma questão de numeração adequada, está longe de imaginar as especificidades exigidas por esse ''calçado'' peculiar da profissão. É preciso que ''ele vista como uma luva'', comenta Rosa Maria Machado, proprietária do Shop Ballet, para que dê conforto à bailarina e facilite o alcance do equilíbrio a cada passo ou pirueta, evitando, assim, um gasto desnecessário de energia.
Na avaliação feita para chegar ao modelo ideal, levam-se em conta num primeiro momento, os três tipos básicos de pés: o egípcio, em que o segundo dedo é maior do que o dedão; o grego, em que os dedos formam uma linha descendente a partir do dedão, e o quadrado, que apresenta dedos com tamanho similar. Há que se ver ainda, para cada tipo básico de pé, a palmilha (o solado) mais adequada, se deve ser suave, reforçada ou super-reforçada, por exemplo, de acordo com as exigências de performance de cada dançarino; o box (a parte da frente da sapatilha, que inclui a ponta) mais perfeito, que varia a partir da largura de cada pé e que ''está vinculado à sustentação do peso do corpo'', conforme explica Rosa; a gáspea (a extensão de tecido entre a ponta e o colo do pé) mais longa ou mais curta, e a altura ideal da parte de trás, que envolve o calcanhar.
Para que ninguém fique mais atarantado do que o necessário frente a tantas opções, ''cerca de 120'', de acordo com Elizabeth, que demora em torno de 15 minutos em cada avaliação que faz das necessidades específicas das bailarinas, o tecido das sapatilhas continua sendo o tradicional cetim e as cores mais usadas apenas três: ''rosa, branco e salmão'', segundo a proprietária do Shop Ballet. Para as bailarinas, a principal vantagem é que esse trabalho de consultoria e de produção personalizada de sapatilhas, iniciado de forma pioneira no Brasil pela Só Dança/Cecília Kerche a partir deste ano, não implica em custo adicional.
A única restrição é conseguir administrar a ansiedade, já que para tomar posse da sapatilha perfeita, a bailarina terá de esperar entre 7 e 10 dias tempo gasto na produção. Mas o resultado é tão bom, como afiança Elizabeth, que todos os envolvidos, do fabricante ao lojista, passando pelo professor, alunos e profissionais da dança, se sentem gratificados. E, com certeza, o público, que só vê a o harmonioso equilíbrio do movimento no palco, também.

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