Bossas modernas
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2002
Nelson Sato Reportagem Local 
A primeira reação é de desconfiança. Os mais afoitos poderão, inclusive, torcer o nariz já na faixa de abertura taxando-a de música-para-turistas. Mas o CD Brasilidade (Trama), gravado pelo trio Bossacucanova em parceria com o compositor Roberto Menescal, oferece muito mais do que feijoadas sonoras de ocasião.
O disco foi lançado no começo do ano passado no exterior e está desembarcando esta semana nas lojas brasileiras. É o segundo álbum do Bossacucanova, um projeto de música eletrônica formado pelos produtores cariocas Alexandre Moreira, Marcelo DaLua e Marcelo Menescal. Este último é filho de Roberto, uma das figuras mais importantes da Bossa Nova.
Há 5 anos, o trio fundou o selo Cucamonga Records para lançar o disco de estréia, que reunia versões eletrônicas para clássicos de Carlos Lyra, Wanda Sá, Os Cariocas e outros artistas veteranos. Na temporada seguinte, o álbum foi distribuído nos Estados Unidos pelo selo novaiorquino Ziriguiboom, o mesmo que lançou o CD Tanto Tempo, de Bebel Gilberto.
Simultaneamente, o disco ganhou distribuição também na Europa pelo selo belga Cramned. Não demorou muito para o álbum vender 50 mil cópias, especialmente depois de uma bem-sucedida turnê promocional com direito a discotecagens em clubes e apresentações ao vivo em rádios. Agora, segundo a assessoria de imprensa da Trama, o novo trabalho já ultrapassa o sucesso anterior.
Em Brasilidade, as duas gerações retrabalham o legado da bossa nova temperando-o com instrumental jazzístico e batidas quebradas de drumnbass. Menescal assina três faixas com o trio, além de participar como guitarrista e arranjador ajudando na adaptação de clássicos como Garota de Ipanema (A.C.Jobim e Vinícius de Moraes), Nanã (Moacy Santos-Mário Telles) e A Morte de um Deus de Sal (dele e de Ronaldo Bôscoli).
Entre os convidados especiais figuram Ed Motta, o saxofonista Léo Galdeman, o percussionista Laudyr de Oliveira, o baixista Adriano Giffoni e a cantora Cris Delano. No material, o principal destaque é a faixa-título inédita, que abre com um sampler da voz de Vinícius de Moraes, extraído da canção Carta ao Tom.
A composição segue num crescendo até explodir em grooves acelerados. Também desponta a recriação de Mais Perto do Mar em roupagem drumnbass, pontuada pelos vocalises de Cris Delano. A dinâmica se repete em Mais Perto do Mar, outra inédita. Ambas remetem às produções de DJ Patife e do produtor Xerxes de Oliveira, expoentes da eletrônica nacional.
Embora já tenha feito shows no exterior para divulgar o disco, o Bossacucanova planeja uma nova turnê internacional para o segundo semestre incluindo apresentações na Europa, Estados Unidos e Japão. Antes, faz uma excursão pelo Brasil. Todos os shows, claro, com Roberto Menescal na guitarra.


