Bossa nova invade as praias cariocas em janeiro
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sexta-feira, 17 de dezembro de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 17 (AE) - A bossa nova vai ser o som do próximo verão carioca, especialmente nas praias da zona sul. Em janeiro, a segunda edição do festival Rio Bossa Nova terá 36 shows de artistas consagrados, cults e pouco conhecidos que vão ser apresentados em seis palcos armados em Copacabana, Ipanema e Leblon. Todos os espetáculos estão previstos para começar às 18h30 e o público alvo é quem sai da praia.
O anúncio oficial foi feito hoje na prefeitura, patrocinadora do festival, com apoio da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira. Tem músicos de várias idades e origens, mas todos vão cantar pelo menos 80% de bossa nova. Entre os fundadores do movimento estarão Johnny Alf, Os Cariocas, João Donato, Lenny Andrade, Roberto Menescal e Marcos Valle.
A segunda geração vem representada por Key Lyra (filha de Carlos Lyra), Bernardo Lobo (filho de Edu) e Daniel Gonzaga (filho de Gonzaguinha). Além de instrumentistas, como o baterista Paschoal Meirelles e o baixista Yuri Popov, que mostrarão seu trabalho-solo. Custos - O secretário de Eventos da prefeitura, Leonardo Conde, não disse quanto a prefeitura está investindo no projeto, que tem como objetivo atrair o turista à cidade. "Não temos um estudo do retorno", explicou ele. "Mas, no ano passado, o show comemorando 40 anos da bossa nova foi transmitido após o programa "Sai de Baixo" e teve uma audiência de 5 milhões de pessoas, segundo a TV Globo".
Os promotores do festival calculam que cada show terá um público de 20 mil pessoas. A cantora Lenny Andrade, que teve a maior platéia do ano passado, disse que o show ao ar livre é mais difícil. "É preciso ganhar um público que nem sempre foi lá para isso", comentou. "Mas também é compensador, porque todo mundo quer esquecer os problemas e cantar o amor, o sorriso e a flor". Ela fará o show de encerramento, no dia 30 de janeiro, ao lado de outros fundadores da bossa nova.
Segundo um dos vice-presidentes da associação, o hoteleiro Flávio Clemente, o objetivo desses shows é aumentar os atrativos do Rio para o turismo, tal como ocorre na Europa, onde mesmo as pequenas cidades programam festivais de música no verão. "Queremos criar um clima musical que seja bem a cara do Rio", diz Clemente. "Nada melhor que a bossa nova para isso".


