Lançado no Brasil há algumas semanas, o desdobramento da franquia Efeito Borboleta, produto serial thriller que há cinco anos deu maior visibilidade ao então ascendente astro e frisson das adolescentes Ashton Kutcher, é uma decepção para todos, fãs inclusive. Na época um sucesso surpreendente, a primeira entrega da série chegou a fascinar o grande público com seu mix de suspense criminal e passeios sobrenaturais pelo túnel do tempo. Uma espécie de parente distante de ''Minority Report'', mas em escala bem mais modesta, sob todos os aspectos.
No entanto, aquela receita - até que aceitável como entretenimento - desandou e azedou: depois do segundo exemplar desastroso, ''Efeito Borboleta 2'' (mas que ainda rendeu dividendos bem razoáveis), esta terceira incursão já surgiu potencialmente desacreditada pela própria indústria que o produziu: nos EUA o filme nem chegou perto das salas de cinema e foi parar direto nas locadoras. Já o circuito brasileiro, sempre aberto a qualquer dejeto hollywoodiano, abriu datas generosas e ''Efeito Borboleta - Revelação'' chega hoje a Londrina (veja a programação de cinema na página 2).
Nesta trama de agora, Sam (Chris Carmack) continua a viajar no tempo, ajudando a polícia a solucionar crimes intrincados. Uma dessas voltas é utilizada para tentar inocentar o acusado do assassinato de uma jovem a quem Sam também era ligado afetivamente. Só que ele tem planos também para evitar a morte da moça, e isto contraria regra básica de seu dom de viajante no tempo: não interferir no passado para não complicar o presente, dele e de todos os envolvidos. Mas ele transgride a norma e acaba produzindo um serial killer, que deverá caçar a cada nova viagem.
O que acontece nesta retomada do tema é o de sempre nos casos em que uma fórmula, a princípio razoavelmente funcional, é enxertada por elementos pretensamente agregadores, mas que funcionam exatamente em sentido contrário. O sangue, por exemplo. Há explicitude em grande parte das sequências, em detrimento ao respeito à inteligência do público - a violência aparece exacerbada e literalmente visceral, e o sexo é over. A perda de um mínimo de coerência e a arbitrariedade/nonsense ao conduzir a narrativa são no mínimo constrangedoras.
Quem no início da série foi seduzido pelo lado místico e imprevisível vai agora se decepcionar com a banalização do roteiro, que acaba estagnado no terreno mais raso e desinteressante da psicopatia criminal. Os diálogos são indigentes, e o insosso universo high-tech tomou conta das ações. O elenco é pobrezinho, e não há nada mais a fazer quando não existe sequer sombra de carisma em personagens e intérpretes.

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