"Boogie Nights - Prazer sem Limites" volta aos cinemas9/Mar, 14:41 São Paulo, 09 (AE) - Às vésperas de mais um Oscar (a cerimônia de entrega da cobiçada estatueta será no domingo, dia 26), volta ao cartaz um filme que há dois anos provocou certo frisson ao ser indicado para o prêmio da academia. Em "Boogie Nights - Prazer sem Limites", o diretor Paul Thomas Anderson invade com sua câmera os bastidores da indústria do cinema pornográfico. É um filme contemporâneo de "O Povo contra Larry Flint", em que Milos Forman usou a pornografia em defesa da liberdade de expressão, e com certeza antecipou "8 mm", o thriller um tanto banal de Joel Schumacher com Nicolas Cage. "Boogie Nights" mostra como o consumo aliena os corpos e destrói a alma. O filme propõe-se como um ambicioso painel dos anos 70 e 80 - muito sexo e drogas e também a crença no capitalismo como força regeneradora do indivíduo. Mark Wahlberg faz o rapaz cooptado para participar de filmes pornográficos. Autêntico garanhão americano, ele tem o seu "grande" talento descoberto por um diretor de filmes pornôs, interpretado por Burt Reynolds (que concorreu ao Oscar de coadjuvante). Vira astro de filmes hard e também uma presa fácil da sociedade consumista. Dirk (o nome do personagem) é carente e ignorante. Pior - é um consumista nato, que usa seu sucesso na indústria pornográfica para satisfazer seu desejo por bens materiais. Rejeitado pela mãe, Dirk encontra naquele bando de desajustados que são seus companheiros de filmagem um sucedâneo para a fratura familiar. Eles passam a ser a sua família e, quando surge um substituto frente às câmeras, o herói inicia a escalada descendente, que o transforma em michê e assaltante. O diretor Paul Thomas Anderson (não confundir com o outro Paul Anderson, que fez o ficção científica O Enigma do Horizonte) veio da produção independente, com direito a consagração no Sundance Festival com um filme intitulado "Hard Fight". Jovem, ele olha a pornografia sem inibição nem preconceitos. Acha-a, até certo ponto, divertida e isso está no filme. É o aspecto mais interessante e também o limite de "Boogie Nights". Se fosse mais crítico, Anderson com certeza teria percebido que a indústria pornográfica não tem nada de divertida. Representa, antes, a degradação do humano. (L.C.M.)

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