Um bom exemplo do andamento do Arte na Escola em Londrina está acontecendo no Centro Municipal de Educação Infantil Marízia Carli Loures, do Jardim Santiago (região oeste), que funciona dentro do Caic José Jofly. ''Conhecendo Londrina através da arte'' é o nome do projeto que está mobilizando as crianças de cinco anos a explorarem aspectos da paisagem natural e construída.
A idéia é estimular a relação da criança com a natureza e a atividade inclui aulas-passeio na escola e nos arredores do bairro. ''Trabalhamos a leitura de imagens e a inserção da criança na cultura local, mostrando, inclusive a localização geográfica e pontos importantes do bairro como as igrejas, os postos de saúde, o mercado'', explicou a professora Lourides Aparecida Francisconi, idealizadora do projeto, que é desenvolvido juntamente com mais três professoras da educação infantil.
Durante a atividade de pintura com tinta feita à base de terra - coletada pelos alunos no jardim da escola - e cola, a empolgação era geral. Após o deslumbramento da exploração da terra onde encontraram formigas, besouros e joaninhas, chegou a hora de experimentarem a própria criatividade.
A ação de exploração local também vai incluir uma visita ao ateliê da artista plástica Elza Heffer, que fica próximo ao bairro da escola, e que trabalha com troncos, sementes, folhas e hastes. ''Vamos mostrar que aquilo que a natureza não precisa mais pode virar um trabalho artístico. Outra coisa importante é ter contato direto com uma obra de arte, não só com a imagem reproduzida. Assim, o aluno vai percebendo que a arte não é estanque, também acontece aqui.''
''Antes as aulas de arte eram mais limitadas, mas agora estamos percebendo o quanto podemos aproveitar o que já existe perto de nós. Realmente acredito que o ensino de arte possa desenvolver o senso crítico e a sensibilidade do aluno, e o retorno deles é muito rápido'', comentou a professora Amanda Radigonda.
Já na Escola Municipal Roberto Conceição, no Jardim Ana Elisa 3, em Cambé, os alunos da 4 série munidos de câmera fotográfica fizeram uma exploração do fundo de vale do bairro através de recortes visuais. Coordenados pela professora Viviane Mascarenhas Almeida, os alunos registraram diversos pontos do local, que está abandonado. Posteriormente, irão fazer diversos desenhos de criação mostrando a idealização que fazem do local. Todo o material será incluído em um manifesto que será entregue para as autoridades locais.
Essa atividade integra o projeto ''Araucárias pra que te quero bem'', desenvolvido desde o início do ano. Indiretamente inspirada pelo trabalho do escultor Frans Krajcberg, que utiliza descartes da natureza, Viviane começou a trabalhar a temática tendo como fio condutor a araucária - árvore símbolo do Paraná, que compõe hoje em dia menos de 1% da cobertura vegetal do estado. ''Não se trata de fazer 'arte engajada', mas é mostrar para o aluno que a arte está ligada com o nosso cotidiano, ela interage com as questões contemporâneas da vida real'', afirmou Viviane.
''Por outro lado, a arte possibilita a incursão em outro mundo, rico em possibilidades através do desenvolvimento da sensibilidade, criatividade e imaginação. É a mediadora do encontro com vários tipos de conhecimentos. Um bom caminho para a formação integral do aluno, despertando as suas potencialidades'', acredita.

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