BONITO - Longa, a viagem de 278 quilômetros entre Campo Grande e Bonito parece ter um único propósito: elevar a níveis industriais a ansiedade de quem sabe que está a dois passos do paraíso. A cidade, que ganhou o nome-adjetivo por acaso era a mesma denominação de uma fazenda daquelas bandas , parece incansável na arte de surpreender.
Na chegada a Bonito, a expectativa ganha doses de apreensão. Numa rápida olhada, apenas ruazinhas tímidas e uma via principal compõem o campo de visão. A inevitável pergunta martela na cabeça: mas onde estão todas as divulgadas maravilhas naturais? Bem, em poucos lugares a máxima ''a pressa é inimiga da perfeição'' tem tanto sentido.
Nada de avaliar a cidade, com seus pouco mais de 16 mil habitantes, pela primeira impressão. Se o perímetro urbano tem pouco a oferecer, a área rural beira o deslumbre. A dica, então, é partir, sem perda de tempo, para um dos 34 atrativos turísticos catalogados pelo Fundo Brasileiro para Biodiversidade (Funbio). Todos a pelo menos 10 quilômetros do centro e alcançáveis por estradas com trechos de terra. Nada, porém, que desanime.
Priorizar um destino pode ser uma tarefa para lá de árdua, principalmente se o tempo for curto. Uma idéia é diversificar os tipos de tour e incluir um passeio radical e uma ida às cachoeiras. Mas, em hipótese alguma, deixe de lado as duas atrações que fizeram a fama da pequena cidade sul-mato-grossense: a visita a grutas e cavernas e a flutuação pelos límpidos rios locais.
No primeiro quesito inclua, sem medo de ser feliz, a obrigatória Gruta do Lago Azul, a cerca de 20 quilômetros do centro da cidade e destino de 98% dos visitantes que passam por Bonito. Na hora de encarar as águas mais do que transparentes, siga para o Parque Ecológico Baía Bonita que, com seu surpreendente aquário natural, conquista desde o primeiro minuto de mergulho.
É sempre bom lembrar ou avisar, para quem não sabe que os passeios são controlados, o número de visitantes restrito e os preços dos tours tabelados. As propriedades em que estão os atrativos são particulares e, na alta temporada, a reserva antecipada é imprescindível. Tudo em nome da preservação deste patrimônio natural o que, por enquanto, tem dado resultados.
Nem adianta, portanto, pensar em seguir para lá de mãos abanando. O melhor é agendar, antes da viagem, todos os passeios desejados, sob pena de ficar num hotel o dia todo sem nada para fazer.

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