BONITO É APELIDO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de janeiro de 1998
Ana Cristina Ioselli TV Press 
Luiza Dantas/Carta Z NotíciasÉ com um largo sorriso que Eduardo Moscovis abre a porta de seu apartamento no Leblon, Zona Sul do Rio. O motivo da felicidade não é segredo. Desde a dupla Babalú e Raí, vividos por Letícia Spiller e Marcelo Novaes em Quatro por Quatro, um par romântico de novela não tem tanta empatia com o público quanto o Nando e a Milena de Eduardo Moscovis e Carolina Ferraz em Por Amor. Quando os dois irresistíveis atores entram no ar, a audiência da novela chega a aumentar em dez pontos. É o casamento de dois atores maduros, teoriza Eduardo que, assim como Carolina, está com 29 anos.
Eduardo jura que não é daqueles que chama atenção nas ruas a ponto de causar torcicolo nas mulheres. Mas sabe bem que seus atributos físicos - sua herança genética inclui gregos, poloneses, alemães e brasileiros - resultam numa boa dose de charme. O autor de Por Amor, Manoel Carlos, que o diga. Bastou fazer do ator o homem dos sonhos da estonteante Carolina Ferraz na novela das oito para transformá-lo em símbolo sexual. Eduardo se diverte. Não me vejo assim, mas se está acontecendo, acho ótimo, apóia.
Moscovis se diz aberto para balanço. Garante que, embora para alguns pareça antipático à primeira vista, adora conversar. Gosto de ouvir. Principalmente críticas, divulga. Por isso, aprecia o assédio do público. E deixa claro que não percebe voracidade nos olhares que recebe e sim a curiosidade natural de quem o reconhece da tevê.
Quando pensa no atual momento da carreira, percebe que agiu certo ao voltar para o Rio logo depois de terminar a novela As Pupilas do Senhor Reitor, no SBT. Em São Paulo, sentia-se só, sem amigos, tinha saudades da família e do mar do Leblon, onde surfa ocasionalmente. De volta ao lar, onde mora com os pais, e à praia, encontra a paz necessária para investimentos profissionais. Enquanto aguarda a estréia dos dois filmes que participou, A Casa de Açúcar e Bella Donna, aproveita para colher os louros da maturidade artística na tevê.
Quando você e Carolina Ferraz entram no ar em Por Amor, o ibope da novela dispara. O que significa ter o sucesso traduzido em pontos de audiência?
Eduardo Moscovis - Estou muito feliz. Eu e Carolina tínhamos conversado bastante antes do início das gravações. Ela, que tinha trabalhado em História de Amor, me falou da estrutura de texto do Manoel Carlos e o elogiou muito. A Carolina me mostrou o Manoel como uma pessoa muito acessível, muito disposta a conversar. Mas eu pensava: se todo o elenco de 80 atores, com toda aquela carência característica, resolver ligar para o autor, mesmo que seja por cinco minutos, o sobrecarregaria ainda mais. Mas, de tanto a Carolina insistir, acabei ligando. E vi que ele realmente é uma pessoa maravilhosa.
O que vocês conversaram?
Eduardo Moscovis - Ele colocou para mim e para a Carolina que a relação do Nando e da Milena seria a válvula de escape da novela, seriam dois personagens completamente abertos. A Milena é atirada, que seduz, que investe mesmo, até numa certa troca de papéis. Ela fazendo o papel masculino da história e o Nando representando o lado mais reservado. Havia a previsão que teríamos cenas bem despojadas, alegres. O objetivo era dar essa alegria da paixão dos dois. Aconteceu e está ótimo.
Você e Carolina Ferraz no vídeo são bastante convincentes. Como é o relacionamento de vocês nos bastidores?
Eduardo Moscovis - Eu e Carolina fizemos um pacto antes de a novela estrear. Quando sentimos que realmente a coisa era legal e que as pessoas da equipe estavam gostando e o Manoel Carlos também, a gente fechou: vamos fazer mesmo, de verdade. Sem tirar a minha responsabilidade, eu coloco a Carolina em primeiro plano. Porque a personagem dela, pelo menos no começo, era quem puxava a relação. Era ela quem assediava e seduzia. Eu dependia um pouco dela para poder fazer o contraponto. Não adiantava bancar o sedutor. Claro que trabalho a sedução, mas é muito em resposta ao que ela me dá. A gente está meio preocupado com isso. E de cara aconteceu. No começo, a Carolina ficava até me cobrando...
Em que sentido?
Eduardo Moscovis - No primeiro bloco de capítulos, teve uma cena em que o Nando está saindo de moto do heliporto, ela se joga na frente da moto e abre os braços. Aí, nos ensaios, a Carolina me perguntou se eu não ia abrir nem um sorriso para aquela mulher. Olhei para o Paulo Ubiratan... O Nando devia continuar contido. Ele estava testando aquela mulher. Ela era louca mesmo? Se o Nando escancarasse a admiração naquela hora, estava morto. Quando apareceu esse lado da desconfiança, surgiu o contraponto. Agora não, a relação é completamente sincera.
Com tantos carinhos e beijos ardentes entre o Nando e a Milena na novela, como fica a questão do ciúmes da sua namorada e do marido da Carolina?
Eduardo Moscovis - No meu caso, eu sou ciumento mesmo. Tento controlar, administrar, mas tem horas que dou uma pirada, enlouqueço mesmo. O que eu tento passar é uma segurança para a Roberta, minha namorada. E ela já está comigo há três anos. Ela pegou uma fase minha em que me sentia muito sozinho, muito só mesmo, morava em São Paulo e não tinha amigos. É estranho sim, é complicado isso tudo. Mas aí entra o pacto de amizade com a Carolina. Sei que a Roberta vai ficar com ciúmes e o marido da Carolina também. Não tiro a razão deles. No caso dele, eu também sairia da sala para não ver a novela. Como o marido da Carolina é muito mais velho que a gente (ele tem 53 anos), acredito na maturidade dele.
Você já passou por alguma situação parecida?
Eduardo Moscovis - Antes da Roberta, namorei a Bel Kutner por três anos. E quando ela fazia a Vamp, eu não assistia à novela. No meu projeto de vida não incluo mais atrizes nos meus namoros. Mas falo isso agora, completamente são, estabilizado, centrado, namorando... Não sei o que vai acontecer. Pode pintar uma paixão, aquelas coisas que enlouquecem e piram a gente.
A Roberta assiste às suas cenas ou também sai da sala?
Eduardo Moscovis - Ela assiste. Inclusive ela bate texto comigo, me ajuda muito, até com a intenção do texto. Ela trabalha com a Xuxa há dez anos e lá o profissionalismo e a concentração são regras básicas.
Você parece mais maduro no vídeo. Você, pessoalmente, sente essa maturidade?
Eduardo Moscovis - Acabei de receber um telefonema da Kátia Aschar, que é mãe do Marcelo Faria. Ela é psicóloga e trabalha com preparação de personagens. Antes de fazer a novela, fiz, em Canoa Quebrada, no Ceará, o filme Bella Donna, que é baseado em Riacho Doce. Conversei muito com ela antes de fazer o filme. Ela me ligou para falar exatamente dessa maturidade que ela está sentindo no vídeo e sobre a qual tínhamos conversado antes para o filme. O filme foi bom para mim até para encarar a sensualidade do Nando, que é mais fechado. Foi um casamento porque a Carolina também está passando essa maturidade artística. Então pensamos: vamos nos divertir e fazer bem-feito? Não estamos presos a nada, preocupações, inseguranças. Estamos fazendo como se fôssemos realmente duas pessoas apaixonadas e felizes da vida.
Ser considerado um símbolo sexual soa como elogio ou chega a incomodá-lo?
Eduardo Moscovis - Saiu publicado outro dia, num jornal, que eu me acho feio. Acho que as pessoas não se acham feias o tempo todo. Não me vejo como símbolo sexual. Se está acontecendo isso, acho ótimo. Mas, de repente, é em consequência da maturidade que estou atingindo agora. Eu me acho uma pessoa natural. Ou naturalmente interessante. Há pessoas que não me conhecem e me acham antipático. Quem me conhece um pouco mais, sabe que sou acessível, gosto de ouvir o que as pessoas têm para me dizer - principalmente críticas. Tenho interesse por me descobrir agora. Isso é uma luta. Acho que estou me abrindo... Esta química com a Carolina está me possibilitando mostrar um lado meu que as pessoas não conheciam. Acho legal que essa história de símbolo sexual aconteça porque me divirto, fico feliz.
Em função do Nando, o assédio do público é diferenciado?
Eduardo Moscovis - A gente teve a preocupação de não vulgarizar as cenas. Quisemos mostrar realmente uma paixão e uma paixão para o lado mais infantil, mais bobo, que mexe com a gente. Que faz a gente suar, brincar como um moleque... Teve cenas que a gente ficou estudando muito como fazer. Como foi a cena da primeira transa no hotel, que ficou muito bonita. Acho que isso passa para o público.
Você está com algum projeto em vista?
Eduardo Moscovis - Estou só esperando dois filmes que eu fiz estrearem, que são o Bella Donna, do Fábio Barreto, e o Casa de Açúcar, do Carlos Hugo Christensen. No mais, é me concentrar na novela.


