Bonito – No ano internacional do ecoturismo, a cidade de Bonito (MS) se destaca como um exemplo de exploração politicamente correta. Para conhecer as belezas naturais da região, o visitante é obrigado a seguir regras determinadas pelo Conselho Municipal de Turismo que, até o final do ano, deverão estar oficializadas num código próprio.
Segundo o secretário de Turismo, Henrique Ruas, a normatização visa a sustentabilidade econômica, ambiental e social da atividade. ‘‘Vamos estabelecer critérios para a abertura de empreendimentos, favorecer a geração de empregos na cidade e garantir a preservação da Natureza. Não queremos uma exploração desordenada e finita. Queremos que o turismo viabilize o desenvolvimento da região sem prejudicar o meio ambiente’’.
Este projeto pode ser a esperança do motorista Enio Dalmolin, 43 anos. Ele saiu de Laranjeiras do Sul (PR) há três anos decidido a ganhar a vida com o fretamento de ônibus em Bonito. Naquela época, ele diz que as expectativas de crescimento do setor eram favoráveis, mas o aumento do custo dos passeios diminuiu o número de turistas. ‘‘Cheguei aqui com dois ônibus e agora só tenho um. Antes trabalhava 15 dias por mês e hoje, no máximo, três. Isso acontece porque o turista que pode pagar uma viagem a Bonito vem com veículo próprio ou de excursão’’, explica.
De acordo com Ruas, a cidade não está interessada na explosão de visitantes e sim na qualidade do lazer e serviços que oferece. O secretário diz que não existe uma fiscalização sobre o valor cobrado pelos passeios, cada empresário cobra o que acha justo. ‘‘Para mantermos um bom padrão de qualidade precisamos de planejamento, infra-estrutura, gastos com burocracia e mão-de-obra especializada. Isso tudo dividido por um número limitado de pessoas priorizado num projeto de preservação eleva o custo do produto. Esse é o motivo da publicidade ser direcionada somente a agências, operadoras e feiras do setor. Por outro lado, também oferecemos opções baratas como, por exemplo, o Balneário Municipal onde o visitante paga R$ 10,00 para passar o dia nas piscinas’’.
Para o guia de turismo Sérgio Ferreira Gonzales, que trabalha na área há 24 anos, a solução para essa polêmica é aumentar o número de opções de passeio. ‘‘No futuro, o público-alvo dessa região será a Terceira Idade que terá um bom poder aquisitivo para investir no lazer’’, prevê.
Bonito recebe anualmente cerca de 100 mil visitantes que compram aproximadamente 180 mil passeios. Nessa estatística, os estrangeiros não passam de 5%. As épocas de maior movimento são os meses de férias (dezembro, janeiro, fevereiro e julho) e os feriados prolongados como, por exemplo, o Carnaval e Dia de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro. Para atender a clientela, o setor hoteleiro dispõe de 3.200 leitos divididos em 65 hotéis e pousadas, sem contar as fazendas que também oferecem hospedagem e alimentação.
Uma boa novidade para a cidade este ano é o início da liberação de US$ 400 milhões do Projeto Pantanal. O dinheiro é de um consórcio entre o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e um banco japonês para a preservação dos rios que banham a região pantaneira e todo seu entorno abrangendo os Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. ‘‘Com essa verba vamos poder investir na melhoria do saneamento básico e na política de proteção ambiental’’, concluiu Ruas.

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