Bonequinha de Seda volta às telas
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segunda-feira, 28 de abril de 1997
Zeca Corrêa Leite Sucursal de Curitiba 
DivulgaçãoCena de Bonequinha de Seda, do cineasta Adhemar GonzagaQuando estreou em novembro de 1936 o filme Bonequinha de Seda levou um público tão grande ao Cine Palácio que praticamente interditou a rua, no centro do Rio de Janeiro. Sessenta e um anos depois dessa noite gloriosa, que iria se arrastar pelos meses seguintes, a fita mantém sua aura de importância histórica, mas cumprindo a sina de um país que não valoriza a própria memória, passou décadas longe das salas de projeção.
O filme é a principal atração de hoje do Festival de Cinema e Vídeo de Curitiba. A sessão está marcada para as 20h30 no Cine Ritz, com a presença de Alice Gonzaga, responsável pela primeira restauração, em 1975, e por uma nova restauração, que deverá acontecer em breve nos Estados Unidos. O filme ficará ainda mais perfeito, promete Alice.
Com direção, argumento e diálogos de Oduvaldo Vianna, Bonequinha de Seda foi escrito para ter Carmen Miranda no papel principal. Devido aos muitos compromissos a cantora abriu mão do projeto, ficando Gilda de Abreu em seu lugar. Essa troca obrigou o autor a reescrever o roteiro, para adequá-lo à personalidade de Gilda.
O esmero com o trabalho levou a artista a fazer uma plástica nas maçãs do rosto com um médico sueco que estava de passagem por São Paulo. Nos testes do filme suas maçãs apareciam fundas. Foi também a primeira vez no cinema brasileiro que se usou a grua (quando Gilda sobe uma escada cantando) e o uso da chamada projeção por transparência.
Esse truque que consistia em filmar cenas de rua, para utilizá-las atrás do carro (parado) onde os artistas dialogavam, foi inaugurado numa passagem em que Conchita de Moraes e Déa Selva conversam no interior de um veículo. A platéia tinha a impressão que ele estava em movimento.
Sucesso imediato de público e crítica, agradou em cheio à juventude. A sessão das 14 horas, conhecida como sessão dos estudantes, foi interrompida três vezes pelos demorados aplausos da assistência. O presidente Getúlio Vargas assistiu ao filme no Palácio Guanabara. Entusiasmado, mandou um telegrama para o cineasta Adhemar Gonzaga: Assistindo à Bonequinha de Seda, sinto-me compensado pelo esforço que fiz amparando o cinema nacional.
IroniaA história nada mais é que uma crítica bem-humorada à futilidade social. Marilda (Gilda de Abreu) é uma aventureira que nunca saiu do Rio de Janeiro mas acaba se introduzindo na alta sociedade e se faz passar por uma francesa. Dizendo-se educada em Paris, e recém-chegada da Europa, cria o maior alvoroço nos meios de gente de bem.
Cai nas graças dos chiques tupiniquins que encontram nela tudo aquilo que sobra aos franceses e falta aos brasileiros. Seja na cultura, na elegância dos gestos, no bem vestir-se. Mal sabiam que aquelas roupas jamais tinham visto uma agulha que não fosse brasileira.
q Bonequinha de Seda - de Oduvaldo Viana, com Gilda de Abreu, Conchita de Moraes, Delorges Carminita, Darcy Selva. No Cine Ritz, em Curitiba, às 20h30. Ingressos: R$ 3,00.


