ReproduçãoCena de ‘‘Bonequinha de Luxo’’: papel
marcante na carreira de Audrey HepburnSentimental sem banalização, excêntrico sem jamais perder a ternura, elegante e charmoso à toda prova, ‘‘Bonequinha de Luxo’’ (a partir de hoje no Cine Luz, em Curitiba) é sempre um must para quem nunca se cansou de vê-lo nesses 36 anos ou para cinéfilos recém-chegados.
Baseado em novela de Truman Capote, ‘‘Breakfast at Tiffany’s’’ ganhou de George Axelrod aquela espécie rara de roteiro em que os elementos se encaixam sem dificuldade e se harmonizam quase que num passe de mágica. É a história da travessa e encantadora Holly Golightly (Audrey Hepburn). Paul (George Peppard) é o vizinho do andar de cima, ao mesmo tempo intrigado e confuso diante do comportamento errante e contraditório da moça, ora alegre mundana, ora neurótica solitária. Igualmente misteriosas são suas visitas a um gângster na cadeia e a banheiros femininos de nightclubs, onde sai sempre com 50 dólares em dinheiro. Por sua vez, Paul também mantém uma complicada relação com uma rica mulher (Patricia Neal). Finalmente, respostas começam a surgir sob a forma de Doc (Buddy Ebsen), um visitante do Texas rural que revela algumas verdades que existem por trás da sofisticação de Holly.
ExceçãoTodo o elenco de ‘‘Bonequinha de Luxo’’ funciona bem. A exceção fica por conta do vizinho japonês racista e grotesco criado por Mickey Rooney, permanentemente em alerta contra as animadas e ruidosas noitadas de Holly. Martin Balsam, como o agente de Holly, oferece bons momentos e boas dicas sobre a personalidade de sua cliente, quando nota, por exemplo, que ela é uma impostora, ‘‘mas uma verdadeira impostora’’, acrescenta.
Conduzido com graça e leveza por Blake Edwards, ‘‘Bonequinha de Luxo’’ é desmedidamente romântico. É ainda um filme apaixonado por sua atriz principal, a esguia, elegante e volátil Audrey Hepburn, que deveu muito de sua carreira a este momento. E também por Nova York, dezoito anos antes de Woody Allen derramar-se publicamente por ela em ‘‘Manhattan’’. A canção ‘‘Moon River’’, que tem aqui uma versão arrepiante na voz não lapidada da própria Audrey, garantiu um das duas estatuetas (a outra pela trilha sonora) a Henry Mancini e tornou-se um clássico popular.

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