BONECOS SEM-TETO
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de julho de 2000
Simone Mattos De Curitiba 
Um dos maiores e mais importantes festivais de teatro de bonecos do País terá início daqui a uma semana, em Curitiba. Apesar do prestígio nacional e internacional que o evento alcançou, os bonequeiros paranaenses não têm muito o que comemorar. A tradicional sede do Teatro de Bonecos fechou há poucos dias por falta de manutenção. A nova sede, prometida pela Secretaria de Estado da Cultura para o festival deste ano, ainda não saiu do papel. Os 52 espetáculos programados para o 9º Festival Espetacular de Teatro de Bonecos irão se apresentar em vários palcos da cidade.
Os problemas técnicos de estrutura elétrica e cênica do prédio, localizado no Largo da Ordem, tiveram início há mais de um ano. A promessa da Secretaria de Estado da Cultura era a de construção de uma nova sede, que seria entregue antes do festival deste ano. Estamos cobrando a promessa, mas a secretaria alega que não houve liberação de recursos para fazer o novo teatro, conta o presidente da Associação Paranaense do Teatro de Bonecos, Odílio Malheiros.
A arquiteta Rosina Parchen, uma das responsáveis pelo projeto do novo teatro, conta que a obra ainda não saiu do papel. O projeto está pronto, mas ainda não foi encaminhado para processo de licitação. Segundo ela, após a conclusão da parte burocrática, a construção será rápida, com previsão de conclusão em menos de seis meses.
A nova sede, toda em estrutura metálica, funcionará no mesmo lote do Teatro da Classe, na Rua 13 de Maio. A capacidade será para 110 pessoas sentadas. O custo estimado da obra é de R$ 190 mil.
Ficamos tristes com isso tudo que está acontecendo. É claro que falta uma política de manutenção no Estado, desabafa Malheiros. Ele comenta que nunca havia sido feita nenhuma reforma no Teatro de Bonecos, criado há mais de dez anos. Recentemente, até mesmo a tradicional programação dos domingos de manhã, quando espetáculos infantis eram encenados pelos grupos locais de bonequeiros da cidade, teve que ser transferida para outros espaços culturais da cidade.
Apesar do desânimo com o descaso, os bonequeiros aguardam uma grandiosa edição do festival, em que já estão confirmadas presenças de grupos do Japão, Inglaterra, Espanha, Peru e Argentina, além de vários estados brasileiros, totalizando 25 companhias. Na opinião de Malheiros, a grande vedete do festival será a Cia. Dandoro Theather, de Tóquio, que apresentará o espetáculo Komachi.
Fundado em 1974, o grupo japonês mescla em seus espetáculos as técnicas dos teatros Bunraku, Kabuki e Nô. Esta é a segunda vez que a companhia dirigida por Hyoichi Okamoto vem a Curitiba. O grupo participou da edição de 1997 do festival.
Uma das grandes novidades da edição deste ano será a inclusão de um ciclo de debates na programação, com atividades diárias. A principal discussão ficará em torno da atual linguagem explorada pelo teatro de bonecos e o papel do ator em cena, que é cada vez maior.
Um ótimo exemplo disto é a companhia peruana Teatro Hugo e Inês, que não utiliza bonecos, mas figuras pintadas no corpo dos atores, explorando um recurso próximo à mímica. A participação do ator é cada vez maior no teatro de bonecos e isso exige mais discussões sobre o assunto, justifica. A entrada para os debates será gratuita, mas é necessário fazer a inscrição antecipadamente, no Teatro Guaíra.


