Bonecos que parecem gente
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quarta-feira, 11 de junho de 1997
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
DivulgaçãoO Grupo Pia Fraus mostra O Vaqueiro e o Bicho Froxo no festivalContinua em Curitiba a maratona do 6º Festival Espetacular de Teatro de Bonecos, promovido pelo Centro Cultural Teatro Guaíra. Estão em cartaz nesta quinta-feira quatro espetáculos: Pupi, com o Professor Bordenowski, Terezinha, uma História de Amor e Perigo, com o Grupo Filhos da Lua; Abraços, com o Grupo Merengue e O Vaqueiro e o Bicho Froxo, com o Pia Fraus Teatro de São Paulo.
Às 10h30, no Teatro de Bonecos, o Professor Bordenowski, um dos artistas mais antigos da cidade, conta a história do cachorrinho Pupi que cansou de ser cachorro e tudo fez para ser gente. Fugiu de casa, encontrou na rua um menino que o levou a uma feiticeira e esta realizou seu sonho.
Pupi, porém, enfrentou um problema: tinha o corpo de gente, mas pensava como cachorro. Só se deu conta que deixou de ser canino quando reencontrou a antiga dona, triste pela perda do companheiro. Infeliz em vê-la assim, ele procurou a feiticeira para voltar a ser o que era.
No Museu do Arteiro, às 15 horas, tem Terezinha, uma História de Amor e Perigo. O autor, Renato Perré, quis com este espetáculo, trazer de volta o lirismo encantado das crianças, de uma época em que ainda não havia máquinas como computadores e videogames que colocam sangue e violência como motivo de passatempo.
Poderia até ser uma montagem saudosista, mas o autor prefere chamar de resgate da memória as músicas e o encanto de se transformar qualquer objeto num ser vivo, que é o talento maior do mundo infantil. Na peça Terezinha é uma colher de pau, a mãe uma panela de pipoca, o pai é um saca-rolhas e o primo, Johny Boy, uma caixa de fósforos disfarçada em príncipe medieval.
A cantiga de rodas Terezinha de Jesus serviu de base para o espetáculo. No transcorrer das cenas a menina recebe presentes que são oferecidos por Efigênia, artista popular da cidade que se dedica à transformação de papéis de balas em objetos e personagens. Mistura-se aqui a fantasia do teatro com a fantasia de Efigênia, que já expôs em vários espaços culturais.
Para adultosÀs 19 horas, no mini-auditório do Teatro Guaíra, tem uma montagem feita especialmente para adultos. Chama-se Abraços. Olga Romero, do Grupo Merengue, estava lendo de Eduardo Galeano o Livro dos Abraços, quando percebeu que poderia ser adaptado ao palco. Assim surgiu a montagem.
Os abraços que a montagem encerra são muitos. Tem o da despedida, o da chegada, o abraço da espera, da proteção, um abraço que pode levar ao abandono. Um longo discurso vai além, tomando como princípio cada abraço, geralmente um sinal de afeto mas que pode ser desprendimento ou posse.
O dia termina às 20 horas, no Guairinha, com O Vaqueiro e o Bicho Froxo. Fantoches, varas e máscaras são utilizados pelo grupo de São Paulo, o Pia Fraus, para a narrativa de um vaqueiro apaixonado por uma moça das redondezas. Ela tem dúvidas sobre o amor declarado e vai a um centro de terreiro. Espíritos da luz e das trevas se manifestam, numa montagem que mistura dança e poesia.
A agenda do festival para amanhã é a seguinte: Baé, com a Troupe Teatral Bandalheira, às 10h30 no Teatro de Bonecos, Histórias da Carrocinha, com o Grupo A Caixa do Elefante, de Porto Alegre, às 15 horas, no mini-auditório do Teatro Guaíra; Kyiohime Mandara, com o Grupo Hyakki Puppet Dondoro Theatre, do Japão. Às 20 horas, no Guairinha.


