Fã de histórias em quadrinhos e cinema, o administrador de empresas Henrique Soares de Lima, 30 anos, passou toda a juventude às voltas com seus personagens favoritos, e hoje tem umas 5 mil revistas em casa. Mas chegou uma hora em que só as HQs não bastavam mais. Foi quando decidiu comprar seu primeiro action figure - um boneco articulado que reproduz fielmente as características do personagem. ''Sou cinéfilo e fã de quadrinhos, e acho que o action figure é resultado dessa primeira etapa. É a personificação do gosto, quando já não basta só ter a camiseta, a revista, o pôster e o filme'', define.
Cinco anos e muito dinheiro depois, o administrador hoje tem pelo menos 50 action figures dos mais variados personagens. Todos importados, porque no Brasil não se produz esse tipo de boneco para coleção. O preço? ''Tem action figure que custa desde R$ 29,90 até R$ 300, dependendo do pacote, da série, se é um personagem raro ou não. O Coringa do último filme do Batman se esgotou rapidamente nos Estados Unidos'', exemplifica Henrique, que agora está tentando transformar seu hobby em uma fonte de renda, comercializando os produtos.
O action figure começou na década de 1960, com a série G.I. Joe, que no Brasil recebeu o nome de Comandos em Ação. A maior parte dos bonecos têm entre 16 e 18 cm, é confeccionada em plástico ou resina, e fabricada na China. Mas Comandos em Ação não era brinquedo? Depende da finalidade. Henrique explica que é isso que, junto com a perfeição nos detalhes, diferencia um action figure de um brinquedo.
As próprias editoras de quadrinhos produzem seus personagens, o que faz com que a rivalidade Marvel x DC também chegue aos action figures. ''A DC tem a DC Direct, que fabrica verdadeiras obras de arte. Já a Marvel não vinha conseguindo uma qualidade tão boa até lançar a linha Marvel Select, com bonecos de ótima qualidade'', compara. A cada nova história, novo desenhista ou novo filme, são lançados novos action figures, cada um seguindo à risca as características do personagem. Para se ter uma idéia, já foram lançados uns 80 Batman diferentes.
Já o estudante de engenharia civil João Henrique Ossamu Horita, 23 anos, preferiu comprar PVC figures, que são os bonecos não articulados, para montar sua coleção. A temática também é outra: os personagens são todos de mangás, animes ou games japoneses.
Assim como Henrique, Ossamu interessou-se pelos figures devido à qualidade de acabamento e semelhança com os personagens, e todos os seus cerca de 40 figures são importados. Os preços também variam bastante, sendo os mais baratos uns R$ 40. ''Tem alguns que saem em edição limitada e se tornam verdadeiras relíquias, a preços bem caros'', observa.
Mas para Ossamu não bastou apenas comprar. Em 2003, ele resolveu fazer o seu próprio figure. Escolheu a personagem Lain, da revista Ethora, criação de sua irmã Karina, desenhou-a em vários ângulos e montou membro por membro, todos bem detalhados, com durepóxi. Para parar de pé, fez uma armação de madeira por dentro. ''Um dia, fui a um evento de anime em São Paulo e descobri mais gente modelando com durepóxi. E eu tinha usado a mesma técnica que eles sem saber'', revela. No ano passado, Ossamu modelou outro personagem (desta vez Yahiko, do Samurai X), e deu um curso dessa técnica, que se assemelha um pouco ao garage kit - no qual o comprador encaixa as peças (feitas em resina) e depois faz o acabamento da forma como preferir.''Até poderia fazer mais dessas modelagens, mas isso exige muito tempo'', lamenta.
E, embora tenham dado um trabalhão durante semanas, essas duas obras não estão entre as favoritas de Ossamu - tanto que a Lain continua sem pintura e o Yahiko acabou manchado. Seu xodó mesmo é a Luna, do game Final Fantasy X2, que custou nada menos que R$ 300.

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