Renato Machado é a informalidade em pessoa. O jeito espontâneo do jornalista de 57 anos é, inclusive, uma das marcas do ‘‘Bom Dia Brasil’’, telejornal matutino que ele comanda como editor-chefe e apresentador desde 1996. Com mais de 30 anos de experiência, Renato garante que só depois de ter passado pelas mais variadas funções na carreira de jornalista se sentiu apto a assumir o cargo de editor-chefe de um telejornal. ‘‘Experiência é fundamental em televisão’’, determina. Orgulhoso por comandar uma equipe de mais de 20 madrugadores, já que o horário de chegada para a produção do ‘‘Bom Dia Brasil’’ é às cinco da manhã, Renato divide o sucesso do telejornal, que em pouco menos de cinco anos quadriplicou de audiência – hoje mantém média de 8 pontos. ‘‘Sou o editor, mas o jornal só fecha em duas horas porque a equipe está mais do que afinada. É uma das melhores da América Latina’’, vibra o jornalista, que rotineiramente vai para a cama às 21:30 h.
Amante de música clássica, o jornalista nutre desde 1972 um paixão por vinhos. Em sua casa, ele tem duas adegas com aproximadamente 200 garrafas e todas as quintas se reúne com os integrantes da Confraria Cave - Companhia dos Amigos dos Vinhos Especiais. ‘‘Bebo dois copos de vinho diariamente no almoço’’, afirma o sorridente jornalista.
É mais difícil fazer um telejornal matutino?
É. Porque os outros têm mais tempo de edição. Nós chegamos às cinco e temos até as sete. São duas horas, começando praticamente do zero. Não adianta chegar antes das cinco porque não tem como gerar as imagens. Está tudo fechado. Também é preciso evitar repetir as matérias dos jornais da noite e ter um material fresco de manhã. Mas é evidente que os assuntos importantes da véspera precisam de análise e a imagem acaba repetida. A filosofia do ‘‘Bom Dia Brasil’’ é trocar em miúdos o que houve no dia anterior. Misturar hard news, com análise, comentário e informalidade. O que não quer dizer que a notícia não seja tratada com seriedade. Eliminamos aos poucos o conceito rígido e mundial de telejornal apresentado em bancada. De manhã, queremos a poltrona. Dar todas as informações, mas dentro de uma outra roupa e num clima de sala de estar.
Você gosta do ‘‘Bom Dia Brasil’’ ser reprisado pela Globo News?
Não sei. Ouvi dizer que tira uma parte de nossos telespectadores, pois vêem a reprise. O que naturalmente seria um concorrente do ‘‘Bom Dia Brasil’’. Mas não sei fazer esta medida porque, ao mesmo tempo que é um concorrente, é um divulgador, pois atinge um outro público. Prefiro considerar que é uma boa divulgação. É bom que a Globo News faça a reprise, desde que, em duas horas, a notícia não fique velha. Acho que precisa ser revisto este conceito de fazer um telejornal gravado, pois não é para ser assim. Por outro lado, a Globo News formou profissionais excelentes em poucos anos e já criaram uma linguagem deles.
Você cobriu duas guerras. Como é anunciar este tipo de reportagem?
Olha, até não gostaria de falar. Porque é o seguinte: eu sinto falta. Queria estar lá. Claro que ninguém quer a guerra, mas este tipo de cobertura é uma coisa estranha para o repórter. Porque ela vicia o repórter em certas coisas. Um bombardeio, uma decolagem de aviões... Você sente de tal maneira presente esta ambivalência da vida e da morte, da fragilidade das sociedades e do próprio ser humano diante da catástrofe, que estar presente ali parece que transforma você em testemunha da História. Você se sente mobilizado e atraído como certos insetos que vão para a luz, mesmo sabendo que ali, podem morrer. É algo inexplicável.
Você compararia o ‘‘Bom Dia Brasil’’ a que vinho, bebida que tanto aprecia?
Não quero ser pretensioso. Bem, o ‘‘Bom Dia Brasil’’ seria um vinho leve, fresco e jovem, apesar da minha idade, que deve ser tomado com toda a ligeireza da juventude. Num verão ou numa tarde agradável. Talvez um vinho branco originário de Portugal, Espanha, da Toscana na Itália ou do Vale do Loire, na França. Enfim, pode ser de qualquer lugar que faça o vinho que não tenha muito corpo. Um tinto geladinho, a 14 graus, ou branco, a 12. Ou talvez um vinho rosé da Provença, Sul da França, o berço de nossa Civilização.

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