Bolsas de Arte: um bom negócio
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de abril de 1998
Elisa Marília Carneiro 
Geraldo Leão: É muito bom porque a pessoa paga em 10 vezes e a venda é certa por este mesmo períodoAs bolsas de arte sempre foram um negócio interessante para as pessoas que gostam de ter boas obras em casa mas não têm poder aquisitivo para pagar em poucas vezes. Em Curitiba algumas galerias já experimentaram o negócio e os próprios artistas organizam grupos interessados em suas obras.
A Galeria Fralette Rubbo lançou a moda há 12 anos e só parou ano passado. Pretendo continuar mas agora estou sem tempo para procurar as pessoas. Mas com certeza não desisti, afirma Zilda Maria Beltrão Fralette Rubbo, proprietária da galeria.
Ela diz que com as bolsas que organizou, vendeu obras de Merege, Jussara Age, Silvio Oppenhein, Zimermann, Juarez Machado, Scliar, Enio Lipman, entre outros. Fazíamos uma reunião mensal com um coquetel, falávamos sobre o artista, onde estava expondo, que prêmios recebera e ainda dávamos uma lida no currículo. Tudo isso tornava a compra bem mais interessante e as pessoas conheciam um pouco sobre o artista e sua obra, recorda.
Dependendo do artista, as cotas ficam entre R$ 100,00 e R$ 200,00 durante 10 meses. Os sorteios são mensais e apenas uma obra é sorteada, mas se a pessoa não gostar, pode escolher outra.
O Solar do Rosário mantém funcionando as bolsas de arte há três anos. Atualmente 15 bolsistas pagam R$ 100,00 por mês e o sorteado leva a obra escolhida. Se o valor da obra ultrapassa os R$ 1.000,00, é possível parcelar o restante, conta Regina Casillo, proprietária do solar.
Quando sorteada, a pessoa pode escolher qualquer quadro da galeria. Hoje, o Solar do Rosário tem um acervo de mais de 200 artistas e os mais procurados são: Calderari, Poty Lazzarotto, Rubens Smanhoto, Rogério Dias, Armando Merege, José Antônio Lima, e os escultores Alfi Vivern, Henrique Radonski e Célio. As gravuras mais cobiçadas são as de Poty Lazarotto e de Manabu Mabe. Os preços são acessíveis e participam das bolsas de artes passoas com perfis dos mais variados, em geral são alunas de um dos nossos cursos, acrescenta.
O artista plástico Geraldo Leão prefere organizar ele mesmo suas bolsas de arte. Já vendi bastante nessa forma. É muito bom, por dois motivos: primeiro porque a pessoa paga em 10 vezes e, depois porque a venda é certa por este mesmo período. Ganha o artista, ganham os compradores, diz.
Os quadros de Geraldo Leão custam entre R$ 200,00 e R$ 10.000,00 e a parcela é o valor da obra dividido em 10 vezes. Em geral, o artista vai produzindo durante o ano e há bolsistas que preferem esperar mais obras para escolher uma. Os clientes são profissionais liberais ligados às artes, como arquitetos, publicitários, jornalistas. Mas o leque está se expandindo e há grupo formados de engenheiros, advogados e economistas.


