Um grupo de seis crianças brincava ontem de manhã numa sala da Escola Estadual Tiradentes, no Jardim Recreio, região central de Londrina. Era o último dia da oficina de teatro comandada pela arte-educadora Margarete Almeida para a Rede da Cidadania, o programa cultural da Prefeitura que há poucos meses foi elogiado em relatório da Unesco.
A oficina foi ministrada durante dois meses e meio, duas vezes por semana, abrangendo brincadeiras, concentração, ritmo, movimentação do corpo e exercícios de improvisação. A turma chegou a reunir 25 alunos, mas acabou se dispersando por um motivo ou outro. Quem ficou, adorou. ''Quero continuar no ano que vem. Meu sonho é ser atriz'' diz Stephanie Mendonça Machado, 9 anos.
''Eu quero fazer novelas'' sonha Vanessa Araújo Apolinário, 10 anos. Como elas, centenas de pessoas participaram de 49 oficinas culturais promovidas na cidade entre maio e dezembro desse ano nas mais diversas áreas incluindo capoeira expressiva, artes visuais, hip hop, dança, vídeo, percussão, circo, fotografia, confecção, manipulação de bonecos e tradições populares.
Mas, a exemplo da oficina de teatro, as demais também sofreram evasão de participantes. Segundo o coordenador do programa, Luciano Bitencourt, a redução de alunos aqui ou ali não implicou na desvalorização dos projetos. ''Todos tiveram continuidade'' explica ele. ''Afinal, o programa é voltado para o resgate da auto-estima e o envolvimento das pessoas em processos criativos. O critério a ser levado em conta é qualitativo e não quantitativo''.
Ele exemplifica com as oficinas de DJs, realizadas nas unidades de Santa Fé (região leste), João Turquino (oeste), União da Vitória (sul) e Assentamento São Jorge (norte). ''Essas são oficinas técnicas, bastante especializadas. Todas começaram com uma média de 5 pessoas. Mas se conseguirmos formar um total de 15 DJs em diferentes comunidades, vai ser uma grande conquista'' diz.
Bittencourt cita, entre os projetos mais bem-sucedidos da Rede, a criação de um grupo de teatro no distrito de Guaravera e as pesquisas desenvolvidas pelo grupo de teatro Perímetro no Jardim Franciscato a partir do resgate da memória afetiva de seus atores. ''Eles experimentaram processos muito interessantes de vivências artístico-culturais. O primeiro grupo já estreou um espetáculo'' conta.
Implantada em outubro de 2001, a Rede da Cidadania propõe-se a democratizar o acesso à formação, produção e fruição da cultura. De acordo com o coordenador, o programa atendeu cerca de 1.300 crianças e adolescentes atuando como parceiro da Secretaria de Assistência Social no projeto VivaVida. ''Aqui, trabalhamos com uma parcela da juventude que está fora das escolas e vivendo situações de risco social. As oficinas entraram como elementos arte-educativos'' salienta.
Bittencourt adianta que, para o próximo ano, está prevista a expansão da Rede da Cidadania para mais seis regiões da cidade. Para ele, um dos principais desafios será colocar os equipamentos culturais (biblioteca, museus etc) a serviço do programa. ''A idéia é integrar toda a cidade, fazendo com que um lançamento de um livro na Biblioteca Pública circule por toda a rede. Queremos que os alunos das mais diversas comunidades tenham acesso a todas as atividades que ocorram nos espaços institucionais. Queremos que as exposições de artes plásticas sejam levadas, com monitorias, para todos os pontos da Rede. Aí, sim, teremos uma integração orgânica'' diz.
Para comemorar o encerramento das atividades nesta temporada, está programada uma grande festa no próximo domingo, no Anfiteatro do Zerão. A programação, que começa às 14 horas, inclui desde apresentações de projetos da Rede a um show do músico Lobão.

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