Às vésperas de sua terceira edição, prevista para ser realizada entre os dias 4 e 9 de maio, o Festival de Cinema e Vídeo de Curitiba enfrenta ameaças de boicote. O motivo é o não pagamento dos prêmios que deveriam ter sido entregues aos vencedores da edição anterior, em maio do ano passado. O total em atraso chegaria a R$ 55 mil.
Por sua vez, a organizadora do evento, Cloris Souza Ferreira, afirma que todos os prêmios serão pagos antes de começar a terceira edição. Segundo ela, o projeto aprovado pela lei do mecenato deveria ter o dinheiro repassado já no ano passado. ‘‘Por causa das eleições, não houve o repasse’’, argumenta.
O principal premiado da última edição ainda espera o dinheiro prometido. O paranaense Marcos Jorge deveria ter recebido R$ 15 mil mais 5 latas de filme por ter ganho o prêmio Estímulo Copel com o melhor roteiro. A idéia do prêmio era incentivar a realização de filmes no Paraná, através de um estímulo financeiro inicial. ‘‘Até o momento só recebi as latas’’, lamenta Marcos.
Ao contrário do que afirma a organizadora do festival, o gerente de Marketing da Copel, Wilson Antunes, garante que o dinheiro foi repassado quinze dias após a premiação, ou seja, em maio do ano passado. ‘‘Não podemos fazer nada’’, diz, ‘‘é um problema entre a organizadora e os premiados’’.
Dois premiados do Paraná já receberam em julho passado. Luciano Coelho recebeu R$ 2.000 pelo melhor roteiro filmado e Fernando Severo R$ 1.500 pela melhor montagem.
Cloris, organizadora do evento, afirma que está tudo sob controle. ‘‘Estão querendo bagunçar nosso festival. A questão é que sou mulher e o festival é bancado pela iniciativa privada. Esse pessoal tem que esperar. Brasília não paga, Salvador, não paga, por que só falam do nosso?’’, pergunta, irritada. Segundo ela, a terceira edição será patrocinada pela Copel, Ministério da Cultura e pela Tele Centro-Sul. No entanto, Antunes afirma que a Copel não recebeu o projeto do festival deste ano até o momento.
Cansados de esperar, alguns premiados ameaçam boicotar a próxima edição. O diretor Paulo Weidebach, que deveria ter recebido R$ 1.500, organiza um abaixo-assinado a ser enviado à imprensa. ‘‘Há tempo que estou escutando essa história. É uma situação absurda’’, reclama Paulo.
A diretora de fotografia Andrea Scansani diz que vai entrar na Justiça contra o festival. Ela ganhou o prêmio de melhor fotografia (R$ 1.500) pelas imagens de ‘‘Cabo Polônia entre o Céu e Mar’’, mas até agora não houve pagamento algum.

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