Bogotá torna-se a capital do teatro latino-americano
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terça-feira, 04 de abril de 2006
Devaldo Gilini Júnior<br>Da Colômbia 
Bogotá A capital colombiana vive até 16 de abril as emoções do X Festival Ibero-americano de Teatro. Serão 17 dias em que a cidade se transformará, 17 dias em que os índices de violência irão diminuir, 17 dias em que o cidadão colombiano, os turistas e as ruas de Bogotá vão girar de cabeça para baixo.
O festival reúne os cinco continentes, com a participação de 42 países, 65 companhias internacionais, 142 grupos colombianos, dois concertos internacionais, tudo isso em 20 salas, seis ginásios e 20 praças. Um espetáculo que conta com três mil artistas em cena, e mais de três milhões de espectadores. Tem teatro, dança, música, fantoches, por todos os lugares.
O desfile de abertura aconteceu no último sábado e reuniu as companhias internacionais Teatro Buendía, de Cuba, com La mascarada, carnaval cubano; La Diablada, da Bolívia, apresentando Ferroviaria de Oruro Diablada; Sangre Mulata, da República Dominicana, com Los colores de la sangre mulata; Teatro Kabana, do Brasil, com Êh Boi!; Gran Reyneta, co-produção do Festival Internacional de Teatro Santiago; A Mil y royal De Luxe, do Chile, com Roman Photo; Stretch MK1 , da Austrália, com El Día, La Noche; Close-Act Theatre, da Holanda, com Malaya e o Grupo F, da França com Um poco más de luz. Também haverá a presença de 30 grupos colombianos.
Três grupos do Brasil estarão presentes. A Companhia dos Atores, do Rio de Janeiro, apresentará a peça Ensaio.Hamlet, que conquistou diversos prêmios, entre eles o Shell para o diretor Enrique Diaz, pela qualidade da experimentação levada a cabo pelo grupo a partir do texto original de William Shakespeare.
A Companhia dos Atores é um dos grupos teatrais mais importantes do Brasil, criador de espetáculos marcantes como A Bao a Qu, Melodrama e a remontagem de O Rei da Vela.
Outra presença brasileira em Bogotá será da Companhia Teatro Kabana, com o espetáculo Êh Boi!. Inspirado nos saltimbancos, em sua arte mágica, satírica e itinerante, o grupo vem trilhando, desde 1980, os caminhos de Minas Gerais e do Brasil. Em sua bagagem misturam-se elementos das artes circenses, teatro de bonecos, folguedos populares brasileiros e teatro de rua. Sacudindo essa mistura, muita música, dança, poesia. No tempero, irreverência, crítica e bom humor.
Na mostra internacional de teatro infantil, será a vez do Teatro de La Plaza apresentar A Revolução na Cozinha, de Julio Pompeo e Héctor López Girondo. Trata-se de um espetáculo de atuação, animação robótica de objetos e tecnologia de aeromodelismo, baseado em Verdurita, uma História Vegetal.
O espetáculo participou dos festivais internacionais de Belo Horizonte e Curitiba (2002) e da Mostra Sesi de teatro de bonecos (2003). Em 2006, além de Bogotá, a companhia está convidada para participar dos festivais internacionais de El Paso (México), Cali (Colômbia) e Charlevièlle-Mezièrés (França).
Além dos brasileiros, o festival de Bogotá traz companhias renomadas da América Latina. Argentina, Cuba, Equador, México, Peru, Uruguai, Venezuela e a República Dominicana trarão 14 espetáculos em teatros fechados e quatro de rua. Também estarão participando grupos da Rússia como convidados de honra.
O festival termina no dia 16 de abril, no Parque Simón Bolívar, com o Grupo F, da França, e o grande espetáculo Um poco más de luz, com jogos de luzes, fogos de artifício e muito som. Trata-se da mesma companhia que participou do encerramento das Olimpíadas de Atenas, em 2004.
* O jornalista viajou a Bogotá a convite do Escritório Comercial da Colômbia em São Paulo - Proexport


