Boff solta o verbo na Cultura
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de janeiro de 1998
Nelson Sato 
Londrina
Arquivo FolhaLeonardo Boff: para ele, nos anos 90, a libertação atinge dimensão holísticaO teólogo brasileiro que fez o Vaticano estremecer é o entrevistado de hoje no programa Conexão Roberto DÁvila, que estreou no último fim de semana na TV Cultura depois de uma breve passagem pela Record.
Leonardo Boff, 58 anos, fala de sua trajetória, de sua relação nada pacata com o alto clero católico e da visão de uma Igreja renovada. Com 62 livros publicados, Boff é um dos responsáveis pela difusão da Teologia da Libertação no Brasil.
Combinando fé cristã com idéias marxistas, entrou em colisão com as autoridades romanas em 1981 ao lançar Igreja: Carisma e Poder, título que o levou a se retratar diante do Santo Ofício. Em seguida, foi afastado definitivamente das funções sacerdotais (ele foi ordenado em 1964), da editora Vozes (onde publicou vários intelectuais de esquerda durante a ditadura militar) e proibido de ensinar Teologia.
Mesmo assim, contrariando as leis do Direito Canônico que legitimaram sua condenação, ele continua a oficiar os sacramentos da Igreja e a debater abertamente assuntos relacionados ao cristianismo - que, em sua abordagem, está sempre em conexão com a prática política.
A libertação tem de ser articulada de uma maneira mais holística, mais ampla. Tem de envolver a terra e a ecologia. Todo o mundo está empobrecido. Somos vítimas do paradigma ocidental, que está destruindo os povos, as classes, a natureza e a qualidade de vida. A libertação hoje tem de ter uma dimensão planetária, não só dos pobres - declarou ele numa entrevista de dez páginas, publicada recentemente pelo tablóide Caros Amigos.
Hoje, na TV Cultura , sua entrevista vai ao ar às 20h30.


