O 63º livro do teólogo Leonardo Boff ‘‘Saber Cuidar - Ética do Humano - Compaixão Pela Terra’’ (Editora Vozes) é uma reflexão sobre nossa civilização agonizante e aborda alguns questionamentos típicos de final de século. O termo ‘‘cuidado’’, incansavelmente repetido no livro, abrange dois significados. O primeiro é desvelo, solicitude, diligência, zelo, atenção e bons tratos para com o outro. O segundo significado implica em intimidade e respeito.
Boff afirma que escreveu ‘‘Saber Cuidar’’ em perspectiva de urgência e propõe uma conversão de hábitos, abandonando nosso descaso com a terra onde pisamos e com aqueles que convivemos. O autor enumera uma série de sintomas que apontam para a crise da nossa civilização, dentre esses sintomas a gritante realidade de mais de 250 milhões de crianças trabalhadoras - pequenos escravos - segundo dados da Organização Mundial da Infância em 1998. Ética nova pressupõe, segundo Boff, um redimensionamento da visão sobre o mundo.
Para compreender melhor o planeta em que vivemos, o teólogo percorre a essência de mitos, dentre eles Júpiter, Tellus/Terra e Saturno. Leonardo Boff aborda algumas teorias científicas, como o Big Bang, e não esquece manifestações filosóficas orientais como o TAO, o budismo e Feng Shui, não se fechando somente em definições sociológicas. Boff, um filósofo holístico, se apropria do sincretismo filosófico-religioso de diversas vertentes, sem constrangimentos. Por vezes, chega a ser bastante cerebral, ao defender que pensemos com o coração.
Para Boff, o aprender a cuidar vai além do processo pedagógico da escola formal que atravessa as instituições. Como ‘‘hóspedes da Terra’’, apregoa o autor, devemos deixar em ordem a casa comum para outros hóspedes que vierem depois. É o cuidado com a herança que recebemos do universo. Nem tudo é otimismo em ‘‘Saber Cuidar’’. Para se chegar a um patamar mais ético, o teólogo arrisca que passaremos por um período sinistro ditatorial do modo de produção material. ‘‘Só então haverá um período de ressurreição’’, prevê.
Os caminhos para que deixemos de ser espoliadores passa pelo cuidado com o planeta, com uma sociedade sustentável, atenção aos pobres, oprimidos e excluídos, bons tratos com nosso corpo, alma e um diálogo aberto com Deus.

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