Curitiba não é mais a mesma. Pelo menos não quando se trata da noite. Quem frequentava as frias madrugadas da cidade há sete anos ou mais, sabe que as transformações foram muitas. De provinciana, a noite curitibana passou a cosmopolita. As opções se multiplicaram, o tamanho das casas foi drasticamente ampliado e os serviços se profissionalizaram. Há, entretanto, quem tenha saudades de um tempo em que a noite era para poucos.
Hoje as casas são ecléticas, comportam milhares de pessoas, oferecendo diversas atrações ao mesmo tempo. Um ótimo exemplo é o Jockey Lounge & Bar, um mix de restaurante, bar, lounge, pista de dança, casa de shows e de jogos. Localizado dentro do Jockey Club, o empreendimento comporta até 2.500 pessoas.
Apesar de estar fora da área do Batel – onde se concentra a grande maioria das casas – o local tem se mantido cheio durante toda a semana. Além de comportar quatro bares, mesas de sinuca, xadrez e gamão, pistas de dança e dois palcos – onde já se apresentaram artistas como Guilherme Arantes, Lobão e Belchior –, o Jockey ainda conta com o restaurante Bartollo Tratoria.
Na categoria megaempreendimento, outro exemplo é o recém-inaugurado Ventura Bingo e Sun Red Restaurante Casual. Com 2.400 metros quadrados e capacidade para comportar 700 pessoas sentadas, a nova casa atende a todas as faixas etárias. ‘‘Pesquisas apontaram que havia espaço para mais uma casa de entretenimento em Curitiba, o que nos levou a investir’’, explica um dos sócios, Carlos Eduardo Canto.
Em sua opinião, o curitibano está cada vez mais buscando qualidade, seja de som, equipamento ou estrutura em geral. ‘‘Quem oferecer isto terá retorno’’, garante Canto.
O empresário João Guilherme Leprevost, dono do Bar da Brahma e parceiro no Jockey Lounge e Bar, concorda. ‘‘A indústria da noite em Curitiba se criou por exigência do mercado’’, afirma. Isto seria o resultado do rápido crescimento registrado na cidade, com a chegada de muitas pessoas vindas de outros Estados e do exterior.
Seguro, Leprevost diz ter certeza de que há público para manter todas as grandes casas que estão sendo abertas. Ele calcula que atualmente pelo menos 50 mil pessoas frequentem regularmente a noite curitibana. ‘‘Hoje, Curitiba é a segunda ou terceira cidade no País com mais bares por habitante’’, arrisca.
O Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares não confirma e não tem registros precisos. O único número oficial é de que atualmente existem 6.500 estabelecimentos do gênero em Curitiba.
Um deles, e talvez atualmente o mais bem-sucedido, é o Callas Dance Hall & Lounge. Construído no local onde durante quase dez anos funcionou o Aero Anta, a casa recebe cerca de 1.200 pessoas na maioria de suas noites. O Callas conta com lounge, pista de dança, restaurante internacional, bar e palco para shows dispostos em dois ambientes.
O consultor em marketing Alexandre Gavinha, que trabalha atualmente para a Callas, Lúpulus Choparia e Alles Bier, e que nos últimos anos deu consultoria para o D-Vinyl Lounge & Bar, Konys Night Club e Plattea Café, entre outros, diz que a noite hoje está muito mais profissional.
‘‘As pessoas estão mais exigentes, o poder econômico cresceu e o mercado da noite teve que se agilizar’’, comenta. Para ele, isto significa festas especiais, DJs famosos e atrações inéditas, que costuma trazer para as casas onde atua.
Gavinha compara a cena atual com a do início da década, quando, segundo ele, qualquer um abria uma casa noturna. ‘‘Hoje, essa é uma empresa como outra qualquer’’, comenta. ‘‘Não há mais o abre e fecha, pois ninguém desiste tão fácil de um empreendimento.’’ Ele comenta que, atualmente, com menos de R$ 500 mil é impossível abrir uma casa noturna.
Para vencer o desafio de manter a clientela, inovações são criadas a todo momento. O Callas, por exemplo, investe em noites temáticas para direcionar o seu público. Nas terças, a música é eletrônica, enquanto na sexta prevalecem os hits dos anos 80 e 90, por exemplo.
Na Rave Night Club, que mantém um público médio diário de 1.400 pessoas durante toda a semana, o diferencial é a constante readequação do espaço. Uma recente reforma ampliou a pista principal, criou um espaço para descanso (chill-out), novo restaurante e decoração temática, além de várias outras inovações.
Um dos sócios da Rave, Riad Omaire, comenta que antigamente a cidade aceitava simplesmente o som dance e agora exige maior diversificação. ‘‘Hoje oferecemos uma maior qualidade e variedade de música eletrônica, incluindo o trance feito pelo DJ Leozinho, eleito recentemente o melhor do Brasil na categoria, num campeonato em São Paulo.’’ Além da Rave, Omaire é sócio do Shiva Lounge Bar, que mantém um público médio de 350 pessoas por noite.
Endereços:
Alles Bier (Rua Vicente Machado, 866, fone 41-322-9671)
Bar da Brahma (Avenida Getúlio Vargas, 234, fone 41-224-1628)
Callas Dance Hall & Lounge (Rua Piquiri, 275, fone 41-333-3028)
D-Vinyl Lounge & Bar (Rua Vicente Machado, 1.082, fone 41-233-0730)
Jockey Lounge & Bar (Avenida Vítor Ferreira do Amaral, 2.291, 41-365-5050)
Kony’s Night Club (Rua Comendador Araújo, 687, fone 41-224-6051)
Lúpulus Choparia (Rua Buenos Aires 148, fone 41-324-6666)
Plattea Café (Rua Buenos Aires, 45, Batel)
Rave Night Club (Rua Dom Pedro II, 250, fone 41-233-4692)
Shiva Lounge Bar (Rua Desembargador Costa Carvalho, 53, fone 41-244-7019)
Ventura Bingo e Sun Red Restaurante (Travessa Luiz Gama, 20, fone 41-233-8555).

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