Bodas de Prata com sotaque nordestino
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quarta-feira, 03 de abril de 2002
Zeca Corrêa Leite<br>Equipe da Folha 
Curitiba O Brasil foi sacudido em 1977 por uma comédia que escancarava o interior nordestino com seus costumes antigos e a sagacidade popular. A Árvore dos Mamulengos, de Vital Santos, foi um acontecimento e levou para a platéia desde críticos como Yan Michalski a artistas como Mazzaropi e Caetano Veloso. Um pormenor nessa história: a peça era uma produção curitibana que em uma semana levou 9 mil pessoas para o Guairão. Passados 25 anos A Árvore dos Mamulengos está sendo remontada, comemorando assim a realização da primeira montagem. A estréia acontece hoje, às 21 horas, no Teatro José Maria Santos, em Curitiba.
O diretor Ailton Silva Caru, que está à frente do projeto, participou do elenco de 1977. Nos últimos tempos Caru vem se dedicando a levar ao palco o universo daquilo que ele chama de teatro popular, como o premiado Solte o Boi na Rua, O Enterro do Cachorro e Coração Dilacerado. O espetáculo que tem hoje sua estréia, é uma continuidade desse trabalho de resgate.
O enredo é próprio de literatura de cordel. Seguindo a tradição arcaica, Policarpo, pai de Marquezinha, acerta o casamento da filha com o Cabo Fincão. Porém, a jovem não é de receber passivamente aquilo que lhe é imposto. Ela não gosta do soldado; seu coração está ligado a João Redondo, um titeriteiro que vive às voltas com seus bonecos.
Dengosa, a moça se enche de caprichos, mas Cabo Fincão está decidido a levá-la ao altar. Dois cangaceiros cruzam o destino do casal: o Porrote Prego Torto e sua mulher Rosita Rabo Quente. Ciumento até a medula, Porrote amarga a vida do soldado falando das dificuldades em ter uma esposa na linha, o que dá um trabalho danado.
A nova montagem de A Árvore dos Mamulengos é defendida por Enéas Lour (Cabo Fincão), Tupaceretan Matheus (João Redondo), Marcilene Santilli (Marquezinha), Altamar Cezar (Policarpo), Cláudia Vasconcelos (Rosita Rabo Quente), Marcos Zenni (Porrote Prego Torto). O espetáculo tem música ao vivo com Beto Collaço (violão) e Vina Lacerda (percussão).
Serviço: A Árvore dos Mamulengos, de Vital Santos, direção de Ailton Silva. De 4 de abril a 5 de maio, sempre de quarta a sábado às 21 horas, e domingo às 19 horas, no Teatro José Maria Santos. Ingressos: R$ 10,00 e R$ 5,00.


