Boca a boca
É preciso ser muito tolo, ou desavisado, para ver um filme de Ingmar Bergman pensando que se encontrará água-com-açúcar. Quase toda a sua obra é marcada pela obsessão pela morte, cuja consequência óbvia é a dúvida sobre a existência de Deus. Duas questões universais, acessíveis a qualquer um, embora não muito agradáveis. O que nos oferece Gritos e Sussurros (Eurochannel, hoje, 22h) não é mais uma reflexão sobre a morte (como, digamos, em O Sétimo Selo ), mas a sua concretude: os gritos, a dor, a decomposição do ser. Programa para masoquistas? Talvez. Ainda assim, há que se respeitar a beleza que o mestre sueco sabe criar, mesmo em face da morte.





