São Paulo, 08 (AE) - Como ocorre todo ano, quando chegam as férias de julho, os atores de teatro infantil saem de cena. É curioso. Justamente quando os pais procuram programas para a família, sobram poucas produções em cartaz. A justificativa é: as crianças também saem de cena. Ou seja, o público que tem dinheiro para pagar ingresso de teatro infantil viaja nas férias. Como se vê, é um círculo vicioso de justificativas. O fato é que, mais uma vez, há poucas peças em cartaz na cidade neste mês. Felizmente, sobrou coisa boa. O poético "O Senhor dos Sonhos", da Cia. Truks, fica até o dia 25 no Teatro Crowne Plaza.
Manipulando bonecos à vista do público, o premiado grupo de animação mostra desta vez que sonhar é uma função vital. O menino Lucas, personagem principal, sempre desligado e atrasado, cresce e vira um sensível escritor e, depois, um velhinho sonhador. Outra boa pedida é o musical "Vô Doidim e os Velhos Batutas", de Nanna de Castro, até 1.º de agosto no Teatro Denoy de Oliveira, na Bela Vista. Sucessos de velhos compositores como Noel Rosa, Adoniran Barbosa, Pixinguinha e Chiquinha Gonzaga servem de pretexto para uma história ágil sobre a importância de se preservar a memória cultural de um país. De quebra, o texto faz brincadeiras com a linguagem de antigamente, usando expressões como "necas de pitibiribas" e "tem caroço nesse angu".
Só até domingo, no Teatro Paulo Eiró, vale a pena levar os mais baixinhos para ver "A Sopa de Pedra", mais apropriada para a faixa etária até 8 anos. O texto é da veterana autora Tatiana Belinky, que adaptou um conto popular com talento de quem entende de seu ofício. Uma velha avarenta recebe a visita de dois espertalhões famintos, que aplicam o golpe da sopa de pedra e acabam "limpando" a dispensa da casa. No Sesc Ipiranga
até o dia 25, "Cadê o Meu Herói?" tem o Grupo Sobrevento, também de animação, em excelente forma. O castelo cenográfico montado no palco é a grande atração do espetáculo, que conquista por ser uma modernizada história de princesa à procura de amor. Os pretendentes são engraçados e com jeitão de anti-heróis.
No Paiol, só aos domingos, o ator Isser Korik, prêmio revelação do ano pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, a APCA, assina texto e direção de "Ele É Fogo!", movimentada trama também sobre atos de heroísmo. Não perca, também, a nova montagem de bonecos da Cia. A Cidade Muda, no Centro Cultural: "Oca", sobre o universo indígena. Além disso, sempre é agradável rever o XPTO, que está reprisando no Centrinho Cultural um grande sucesso de seu repertório, "Coquetel Clown". (Dib Carneiro Neto)

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