BOAS MANEIRAS - Educação: item fundamental nas malas de viagem
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de abril de 2008
Mônica Nóbrega<br> Agência Estado 
São Paulo - Viagem de férias é para ser informal e ter clima de total relax, certo? Mas a ânsia de deixar de lado os compromissos do dia-a-dia para ficar no bem-bom não é desculpa para esquecer as boas maneiras em casa. Afinal, o turista elegante facilita a sua própria vida e a dos atendentes de hotéis, do aeroporto, dos bilheteiros de museus e parques e dos garçons.
Mas calma! Ninguém precisa seguir regras rígidas e gastar os dias de folga preocupado com a posição dos talheres na mesa. Etiqueta é bem mais do que isso: conhecer as regras universais de convivência reduz bastante as chances de cometer uma gafe ou até de ser grosseiro em um ambiente diferente, cheio de códigos desconhecidos e hábitos que demoram a ficar claros.
Exemplos bem fáceis de serem compreendidos não faltam. Os aeroportos, cada vez mais lotados, oferecem vários: esperar ser chamado ao check-in para só então revirar a bolsa atrás do passaporte é uma grande falta de educação porque faz as pessoas esperarem ainda mais tempo na fila. Por outro lado, se esparramar para um cochilo (discretamente, se possível) nas cadeiras da sala de embarque em caso de vôo atrasado ou demora na conexão pode ser pura questão de necessidade, sem configurar exatamente uma deselegância. Acredita?
Da mesma forma, o delicado gesto feminino de cruzar as pernas ao sentar-se, tão comum por aqui, é considerado falta de educação em situações formais na Alemanha. A palavra-chave para conviver bem com as diferenças é respeito, sempre. Se cometer uma gafe, desculpe-se e não estenda o assunto. Ajuda bastante fazer uma pesquisa prévia sobre os hábitos do lugar que você vai visitar e, quando estiver no destino, observar e (por que não?) imitar os moradores.
A seguir, consultores de etiqueta e viajantes experientes dão dicas imperdíveis para quem faz questão de manter a classe fora de casa. Já reparou como a boa educação abre mais portas do que bater boca, insultar e exigir?
No avião
Viajar de avião é uma situação bastante delicada. Aeroportos e vôos lotados, aperto e longa imobilidade tornam a situação um verdadeiro barril de pólvora. ''O ser humano estressado perde a educação emocional'', diz o consultor de etiqueta e comportamento Fábio Arruda.
Na viagem aérea, as regras de convivência se tornam vitais para que os passageiros - e a tripulação - não cheguem ao destino engalfinhados. Pequenas e grandes atitudes antes, durante e depois do vôo ajudam - e muito - a evitar a explosão do barril.
Antes
Não há grosseria maior do que o atraso. Aliás, tenha em mente: espernear, insultar a mãe do atendente ou chorar sua tragédia pessoal por causa do congestionamento até o aeroporto não vai mudar as regras. Programe-se para chegar cedo. Se o vôo estiver atrasado ou for cancelado, segure a onda. ''Xingar é inadmissível. É fácil ser elegante quando tudo corre às mil maravilhas. Mas nas piores horas é que mostramos quem somos'', diz a consultora de etiqueta e marketing pessoal Ligia Marques.
Esquecer da vida nas comprinhas é demonstração de falta de respeito. ''Ser chamado pelo alto-falante do aeroporto é grande um mico'', diz Arruda.
Falar ao celular, aliás, dificilmente torna alguém elegante. Além de obrigar outros viajantes a ouvirem uma conversa para eles desinteressante, quem fica pendurado no aparelho enquanto a aeronave não decola piora o desconforto de quem tem medo de voar.
Durante
Na cabine do avião, nada de dar uma de esperto e sentar ao lado da mãe ou do namorado se esse não é o lugar marcado no seu cartão de embarque. Prefere a janelinha? Faça o check-in mais cedo na próxima vez. E não é gafe pedir licença para ir ao banheiro, mas não dá para fazer isso a cada meia hora.
Busque o diálogo antes que os problemas fiquem insustentáveis. Com educação, você pode pedir que o viajante da poltrona de trás pare de usar o seu encosto como apoio para se levantar ou pode acordar delicadamente o vizinho que usa o seu ombro como travesseiro. Se ele ronca, que tal pedir licença para ir ao banheiro como estratégia para fazê-lo mudar de posição? No desespero, ouça música.
Choro de criança precisa ser tolerado - nem pense em reclamar. ''Os pais já estão suficientemente constrangidos. O mínimo que alguém de bom senso pode fazer é ser solidário'', diz Arruda. O comissário pode ser chamado caso você não consiga resolver um problema sozinho.
Exemplo recorrente é o bêbado, personagem constante em vôos. Se perceber o estado dele antes da decolagem, avise a tripulação. Ainda há tempo de tirar o inconveniente do avião, para o bem de todos. E tome cuidado para não seguir o exemplo e beber demais. Na hora de se alimentar, bons modos à mesa valem no avião também.
''Manter o mínimo de ordem na sua poltrona é indispensável'', diz Fabrizio Rollo, editor de Estilo da revista Vogue. A recomendação vale também para o banheiro da aeronave. ''Não deixe vestígios'', diz.
Tirar os sapatos é perfeitamente aceitável em vôos longos. O problema é que, por incrível que pareça, há quem não tenha a mínima vergonha (ou mesmo noção) do próprio chulé. Se desconfiar que pode existir algum mau cheiro, aguente firme e mantenha-se calçado até o fim.
Rollo dá ainda uma dica de estilo: homens, nem pensem em tirar as meias. ''Os pés masculinos costumam ser malcuidados. É uma visão que ninguém merece.'' Mulheres podem exibir unhas feitas e pés bem hidratados à vontade (mas só aquelas que atenderem a esse requisito).
Conversas em voz baixa são permitidas. Outra coisa que pode incomodar, mas não admite reclamação, é a luz individual. Sim, você tem o direito de dormir. E o seu vizinho insone tem o direito de ler. Por falar em direitos, uma regrinha básica: morda a língua antes de bradar ''eu paguei!'' aos quatro cantos da aeronave. Sim, você pagou - e todo o mundo ali dentro também.
Depois
Se você se manteve um gentleman ou uma lady até agora, fique firme para não pôr sua imagem de elegância a perder nos minutos finais da viagem. Sua mala é gigante? Espere pacientemente até o tumulto na esteira diminuir para pegá-la sem machucar ninguém.
Ao sair, afaste-se do portão de desembarque antes de cair nos braços dos amigos ou familiares - mesmo que esteja voltando para casa depois de longos anos de intercâmbio ou coisa parecida. Afinal, quem vem atrás não é obrigado a esperar o fim da sessão de beijos e abraços de sua família para poder seguir caminho.


