De boas intenções o teatro está cheio, mas a ‘‘A Casa’’, do grupo Artesãos de Dioniso, de Florianópolis (SC), não conseguiu ir além delas. O espetáculo estreou anteontem, encerrando a Sul Mostra de Teatro do Filo, numa apresentação repleta de improvisos e imprevistos. O diretor Luiz Alberto Correa utilizou textos de Albert Camus, Jorge Luis Borges, Franz Kafka, entre outros que discorrem sobre a solidão, bem do homem. Boa idéia, mas só.
O resultado foi uma colcha de retalhos ininteligível. Tanto pela dicção comprometida dos atores, quanto pela disposição aleatória dos discursos, entrepostos por performances estereotipadas. O primeiro a deixar a platéia, em menos de 20 minutos de espetáculo, foi o ator Luis Carlos Vasconcelos, seguido de mais alguns espectadores revoltados. O diretor – que também atua no espetáculo – até tentou impedir a revoada, buscando explicações do público. ‘‘Vocês não gostaram? Por que?’’, diretor e atores solicitavam a interação da platéia, que não veio nem em forma de aplausos.
Fora do teatro os espectadores questionavam sobre a seleção dos espetáculos da mostra. Mas um festival é isso, sujeito a chuvas e trovoadas. Seleção cuidada ou negligenciada, a última palavra é sempre do público. Assim será também para os que esperam a segunda fase do Filo, que inícia no próximo sábado com ‘‘Um Trem Chamado Desejo’’, do Grupo Galpão. Serão 25 espetáculos para lá de bem-intencionados. É esperar para ver.

mockup