BOA LIÇÃO - Para estudar sem birra
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terça-feira, 29 de junho de 2004
Ciça Vallerio<br> Agência Estado 
Cenas comuns na família: pais chegam em casa depois da labuta diária e descobrem, atônitos, que seu filho não estudou para a prova do dia seguinte. Ou recebem recados dos professores avisando que ele não faz as lições de casa e as notas estão baixas. O desinteresse da molecada pelos estudos tem sido uma das principais reclamações dos pais, conforme observa a psicopedagoga Silvia Amaral de Mello Pinto, da Associação Brasileira de Psicopedagogia, que também é coordenadora do Centro de Aprendizado e Desenvolvimento (CAD), de São Paulo.
Diante desse impasse, uma legião de aflitos quer saber o que fazer quando os filhos não têm afinidade nenhuma com os livros. Essa preocupação aumenta entre pais que trabalham fora e dispõem de pouco tempo em casa. Uma coisa é certa: brigas não resolvem o problema. ''Quando a criança não consegue estudar e foge constantemente de suas obrigações, é importante que os pais procurem um especialista dentro ou fora da escola para encontrar o motivo dessa recusa'', avisa Silvia. Pode ser o psicopedagogo da escola, o coordenador ou até instituições específicas que lidem com essa questão, como o CAD. ''O ideal é que a criança seja avaliada por um fonoaudiólogo, psicólogo e psicopedagogo para ver o que está acontecendo com ela'', explica Silvia.
''O desinteresse pelos estudos pode estar associado à deficiência de aprendizagem ou a algum problema relacionado à família ou escola.''
Muitas crianças fogem dos livros porque, simplesmente, não sabem como estudar. Algumas são incapazes de anotar a lição de casa. Como as exigências letivas estão maiores, cada vez mais alunos recorrem a um especialista chamado ''orientador de estudos''. Para alívio dos pais, algumas escolas já dispõem desse tipo de profissional. A orientação também pode ser encontrada na forma de aula particular.
No entanto, participar não é a mesma coisa que paparicar. Esse negócio de sentar todos os dias ao lado do filho, tomar a lição e estudar junto não ajuda muito. Só deixa a molecada dependente. Isso vale também para aulas particulares, que são indicadas apenas quando há necessidade de reforço numa matéria em que o aluno esteja com dificuldade, a ponto de não conseguir acompanhar as aulas. Segundo os especialistas, mostrar interesse, perguntar se o filho fez a lição e o que aprendeu naquele dia, ajudá-lo em alguma dúvida e ver o seu caderno são sempre atitudes bem-vindas. Mas a criança precisa aprender a cumprir com suas responsabilidades por si só. Esse aprendizado ela levará para o resto da vida.


