Boa e lúdica companhia
Celso PachecoO Ballet de Londrina mostra no Filo três coreografias embaladas por músicas de Fritz Kresiler, Karl Orff e Astor PiazzollaBOA E LÚDICA COMPANHIA
Ballet de Londrina mostra hoje e amanhã no Filo o balé Lúdico que já percorreu o Nordeste brasileiro
Francelino França
Depois de 13 apresentações em palcos nordestinos, o Ballet de Londrina, finalmente, faz sua estréia na cidade com a produção intitulada Lúdico, a sétima montagem do Ballet. O espetáculo passou por Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, Maceió e Salvador e foi aplaudido por mais de 5 mil pessoas. A apresentação de hoje é revestida de um nível de maturidade diferente das outras estréias do Ballet na cidade, sempre ligadas à comunidade nesses seis anos de existência.
Lúdico é uma investigação sobre uma determinada faceta do comportamento humano que está adormecida em todos nós e que em determinados níveis desaparece. É uma tentativa de resgatar a gentileza, elegância e nobreza, tão fora de moda nos últimos tempos. Na concepção coreográfica de Leonardo Ramos, também diretor do Ballet, uma energia infantil evidenciada no início do espetáculo, vai se perdendo no decorrer da coreografia. Em Lúdico, esse personagem delicado ressurge a cada cena e começa a desaparecer.
Não é uma visão pessimista. A intenção é alertar, exagerar, para que se perceba o que é o dia-a-dia, assegura Leonardo Ramos. A lupa do artista é dirigida para esse alerta. Falamos de cotidiano de maneira mais irreal do mundo, complementa. Desta montagem, como percebeu Leonardo Ramos, o público sai tenso. Mesmo assim, há uma identificação imediata com o espetáculo. Esse personagem descrito por ele, de certa forma, é um alter ego do diretor. Tem um pouco das minhas neuroses, confessa Ramos.
Lúdico é uma tríade coreográfica composta por Brincante, Lúdico e À cidade, apresentados nesta ordem. As músicas do espetáculo são de Fritz Kreisler, Karl Orff e Astor Piazzolla. Possuem referências rítmicas entre si, e, segundo Ramos, esse repertório musical é extremamente cativante. Em Brincante, que significa participante de folguedo popular, resgata-se o gestual presente nas crianças, ritmados pela música de Kreisler.
A segunda parte do espetáculo, Lúdico, foi construída a partir das Canções Profanas de Karl Orff. São músicas menos conhecidas, mas igualmente belas, de Carmina Burana. Cenas cotidianas e outras do terreno da imaginação compõem o balé. Contemporaneidade apoiada em técnica clássica. Para À cidade, Ramos inseriu os últimos concertos de Astor Piazzolla, músicas de característica sinfônica. À cidade, uma reedição da obra criada em 1996, pode ser considerada uma antítese dos outros quadros.
O grupo é o produto exportação da cidade. Trabalha como embaixador de Londrina pelo Brasil e exterior. Em palcos estrangeiros, eles são conhecidos como Ballet de Londrina do Brasil. Leonardo rememora uma apresentação antológica do Ballet Londrina na Praça dos Romeiros, em Juazeiro do Norte, Ceará, cidade do Padre Cícero. Um tradicional centro religioso aplaudindo uma companhia de dança contemporânea. Para ele, se apresentar em grandes centros é importante por firmar nome da companhia e pelo intercâmbio. Mas para a formação do cidadão é mais significativo percorrer cidades onde nunca se apresentou uma companhia de dança.
Os espetáculos do repertório do Ballet de Londrina se assemelham entre si, mas até em função do isolamento em termos de dança, o grupo apresenta características distintas. O trabalho contemporâneo do grupo se destaca porque é ligado ao ser humano comum. Como explica Ramos, ser contemporâneo é ser atual, não ter estilo definido, quando escandaliza muito torna-se vanguarda. Na segunda fase da turnê, o Ballet de Londrina abraça a proposta da Secretaria de Estado da Cultura de levar espetáculos para o interior, em dez cidades paranaenses.
- Lúdico, espetáculo com o Ballet de Londrina. Hoje e amanhã, às 21 horas, no Cine-Teatro Ouro Verde, Rua Maranhão, 85. Direção: Leonardo Ramos





