São Paulo, 21 (AE) - O Ministério da Cultura anunciou, semana passada, a criação do Programa Cinema Brasil, linha de crédito via BNDES para a produção de filmes que tenham orçamentos de até R$ 1 milhão. Os projetos aprovados por uma comissão de seis nomes ligados ao cinema receberiam 50% do orçamento, em parcelas, e o restante deverá ser captado com base nas leis de incentivo cultural em vigor.
A principal exigência é de que os filmes estejam prontos para a exibição 14 meses após o dinheiro começar a ser liberado. "Pelo contrato, o produtor recebe 20% do total da verba no momento da assinatura, 40% quando começar a filmar, 20% quando apresentar a primeira cópia e 20% no momento da comercialização", explica o secretário do Audiovisual álvaro Moisés.
A diretora Sandra Werneck, de "Pequeno Dicionário Amoroso", considera o valor muito baixo. "É difícil fazer um bom filme com R$ 1 milhão." Seu Pequeno Dicionário custou R$ 850 mil em 1995, época em que o dólar e o real estavam emparelhados. "Hoje, custaria o dobro", garante. Ugo Georgetti
do filme "Boleiros", também não se animou. "Trabalhar com orçamento reduzido acaba engessando a criatividade", diz. Para ele, o governo poderia atuar na outra ponta, dando condições aos laboratórios de baixarem os preços de negativos, revelações e cópias das películas.
Já para Beto Brant, diretor de "Matadores e "Ação Entre Amigos", a proposta pode ser uma boa alternativa. "Às vezes o diretor tem de adaptar-se ao que tem; havendo menos dinheiro, pode se tentar filmar em menos tempo, usar locações, filmar em 16 milímetros, no lugar de 35 mm, ou até usar câmeras digitais e depois passar para película." Ele pretende inscrever um projeto no programa.
Calvário contínuo - Pode-se questionar ainda o fato de o financiamento ser parcial, o que continua obrigando diretores a enfrentar o calvário das visitas a empresários, e de o prazo para a finalização do filme (14 meses) ser pequeno. Para Moisés, porém, não seria difícil completar o orçamento nem filmar nesse prazo. Ele também nega que a comissão de notáveis poderia favorecer apenas os nomes conhecidos do cinema. "O objetivo é financiar filmes factíveis, independentemente de quem seja o diretor."
A medida deve ser publicada no Diário Oficial em duas semanas. A partir de então, os cineastas terão 45 dias para enviar seus projetos ao Ministério da Cultura. Eles serão analisados pela comissão de notáveis, a ser formada, que terá dois meses para escolher as produções que irão receber o financiamento.

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