BMG relança em CD seis discos de Bezerra da Silva
BMG relança em CD seis discos de Bezerra da Silva15/Mar, 15:33 São Paulo, 15 (AE) - Voz do samba mais barra-pesada, cantor dos fatos, sem disfarce, da vida dura dos morros e favelas horizontais - mas não só disso. Cantor também de hábitos e costumes dessa mesma gente, catalizador de inovações e invenções de linguagem, Bezerra da Silva tem seis de seus discos originais do período entre 1984 e 1990 relançados em CD pela BMG. É uma obra de extraordinária qualidade que se vê, infelizmente, quase sempre reduzida ao aspecto cômico, caricato. De "Bezerra da Silva - Produto do Morro" (1983) é mais fácil que seja lembrado o (engraçadíssimo) "Minha Sogra Parece Sapatão" (de 1000tinho, Tião Miranda e Roxinho) do que o canto de terreiro "Pai Véio" (Luiz Moreno e Geraldo Gomes). Na verdade, o universo é o mesmo. O pai "véio" da história é uma entidade que está na pior: só atende a quem tem grana, já que anda "todo macumbado", sem lugar para dormir. Mas essa é mais sutil. Passou meio despercebida. Há, de um lado, o cronista. Mas o sambista tem linhagem nobre. Em "É Esse aí Que É o Homem" (1984), os músicos que o acompanham são Dino Sete Cordas, Zé Menezes (cavaquinho), Gordinho (surdo), Zé Trambique (pandeiro), Armando Marçal e Cabelinho (percussão). No coro, As Gatas. Para os não-iniciados: a nata. São desse disco "Defundo Caguete" e "O Rei da Cocada Preta". Os outros títulos relançados: "Alô, Malandragem, Maloca o Flagrante" (1986), que tem o manjadíssimo "Malandragem, Dá um Tempo" ("Vou apertar/ Mas não vou acender agora"); "Malandro Rife" (também de 1986, ano em que Bezerra fez sucesso máximo), que traz um brilhante Noca da Portela (Levanta a Cabeça) ao lado de "Vítimas da Sociedade" (Crioulo Doido e Bezerra) e "Bicho Feroz" (Tonho e Cláudio Inspiração); o violento, de fato, "Violência Gera Violência" (1988), que não é um tratado sociológico, mas tem o (sempre) oportuno "Candidato Caô Caô" (Walter Meninão e Pedro Butina); e "Eu não Sou Santo" (1990). O time de músicos é sempre o mencionado acima. Mudam os capistas - e as capas de Bezerra da Silva formam capítulo à parte. Riso e tragédia dão no samba de primeira. (M.D.)





