Blues toma os palcos
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sexta-feira, 04 de junho de 2010
Nelson Sato<br>Reportagem Local 
Às vezes ele cai no ostracismo, deixando meia dúzia de órfãos inconsoláveis. Outra vezes, aparece revigorado concorrendo em pé de igualdade com outros ritmos musicais mais populares. É nesse segundo estágio que o blues se encontra atualmente em Londrina, cuja agenda de shows sempre traz apresentações simpáticas ao gênero nascido dos lamentos dos negros nas plantações de algodão do Mississipi.
Foi assim que surgiu a ''Quinta Blues'', noitada semanal que reúne os aficionados na Vila Cultural Cemitério de Automóveis. Criada este ano, a balada era um sonho antigo de Christine Vianna, diretora do espaço. ''Sempre quis fazer uma noite especial dedicada ao blues, mas só agora pudemos concretizar o projeto. Era para ser um evento mensal e virou semanal a pedido dos músicos e do público. Estamos cumprindo um papel cultural ao abrir espaço para estilos musicais mais elaborados'', diz ela.
Por ali tem passado boa parte dos grupos de blues da cidade, entre eles o Gigo Dog Blues, o Zazou Bluz, o John Doe Blues, a Bemol Blues Band, a Pop Blues Brothers e o Blues Oxygen. Só não se apresentou ainda o Acústico Blues Trio, capitaneado pelo guitarrista Kiko Jozzolino e um dos ''veteranos'' da cena com seis anos de trajetória. Pela lista, constata-se que nunca antes Londrina abrigou tantos grupos apaixonados pelo gênero.
O blues estaria na moda? ''O blues não é um estilo de massa, como o sertanejo. Ele tem um público mais seletivo e fiel. Não se trata daquele tipo de cara que ouve blues hoje e amanhã vai ouvir outra coisa'', afirma Vitor Struck, vocalista e guitarrista do power trio Bemol Blues Band, que ganhou espaço fixo às sextas-feiras na agenda do bar Villa Badú. Seu repertório traz clássicos de nomes como Muddy Waters, B.B.King, Eric Clapton, John Lee Hooker e Stevie Ray Vaughan.
Embora esses personagens lendários frequentem o repertório de quase todos os grupos, há sempre uma cota de jóias garimpadas no baú que distingue uma banda de outra. A John Doe Blues, por exemplo, valoriza as performances da vocalista Gabriela Catai ao embutir temas jazzísticos gravados por cantoras como Billie Holiday e Anita O'Day. ''Também interpretamos músicas de Janis Joplin e Amy Winehouse'', informa a menina.
''O blues continua eletrizante, contagiante e provocando sinergia entre o palco e a plateia. É muito legal ver a galera nova descobrindo o gênero que é a semente de toda a música pop. Acho bacana ir buscar as raízes lá atrás, até para melhorar o que está sendo feito agora'', assinala o cantor e compositor Ivo Pessoa.
O artista está de volta a Londrina depois de viver 5 anos no Rio de Janeiro, após conquistar projeção nacional ao participar do programa ''Fama'', da TV Globo. Montou um show, batizado ''Every Bares'', em que se apresenta sozinho ao violão ou acompanhado de um ou dois músicos.
No começo desta semana Pessoa esteve em Arapongas, hoje estará na praça pública central de Sertanópolis e no próximo dia 10 em Assaí. O repertório inclui composições próprias e clássicos do blues. ''Esse show permite uma aproximação maior com o público. Gosto desse contato direto com as pessoas'', diz. Um outro projeto, que ele intitulou ''Música Popular Bluesileira'', mescla temas autorais e versões de sucessos populares para a pegada do blues. ''Aí toco Reginaldo Rossi, Adoniran Barbosa, Ed Motta e outros. Pego músicas que fizeram sucesso em rádio e transformo em boogie ou jump blues'' conta.
Ivo está preparando um grande show para setembro, em Londrina, no qual será acompanhado por instrumentistas locais. ''Vou mostrar composições inéditas, além daquelas já conhecidas. Estou atrás de patrocinadores e em conversação com os músicos'', avisa, acrescentando que planeja gravar o espetáculo em DVD.


