A música de Clarence ''Gatemouth'' Brown está acima de qualquer rótulo. Ele é considerado um bluesman que teve importante papel no desenvolvimento do blues do Texas, de onde é originário. Mas se quisermos situá-lo melhor teremos que considerar esta legenda da música norte-americana como um mestre eclético das expressões musicais texanas das raízes onde está presente não só o blues mas também o country, o cajun, o bluegrass, o western swing ou o gospel.
Gatemouth é um multiinstrumentista virtuoso na guitarra, no violino, na harmônica, no mandolin e na viola. Sua versatilidade se deve ao pai, um músico popular na cidade texana de Orange, especializado em cajun, country e em bluegrass, mas não em blues. Logo na adolescência Clarence ''Gatemouth'' Brown se sentiu atraído pelas big bands da época, como as de Count Basie, Lionel Hampton e Duke Ellington cuja composição ''Take the A Train''' continua a fazer parte do seu repertório central.
Um fato marcante em sua carreira foi em 1947, quando adquiriu notoriedade no clube Golden Peacock, em Houston, ao substituir inesperadamente o famoso T-Bone Walker, que abandonara o palco por uma súbita indisposição.
Reportam as histórias que T-Bone Walker ficou zangado com esta ''usurpação juvenil''. Clarence brindou o sucesso com a sua composição ''Gatemouth Boogie'' e o público deixou-lhe no palco uma quantia de seiscentos dolares como prêmio. De imediato, Don Robey, o dono do clube, propôs a Clarence orientar a sua carreira fazendo-o gravar na sua própria marca Peacock e, mais tarde, organizando-lhe excursões pelo Sul e Sudoeste dos Estados Unidos encabeçando uma orquestra de vinte e três músicos.
A relação de Clarence Brown com seu primeiro empresário, Don Robey, durou até 1960, tendo constituído, entretanto, na década de 50, uma afirmação do estilo peculiar do músico caracterizado por tórridos temas instrumentais que marcaram o período do pós-guerra dos blues do Texas. Os anos 60 não foram dos melhores para Clarence ''Gatemouth'' Brown, estabelecendo-se em Nashville, os discos de country que aqui gravou não tiveram a notoriedade desejada, muito embora tivesse participado no famoso programa de televisão The Beat apresentado pelo não menos famoso Dj de rádio, Bill ''Hoss'' Allen.
A lacuna iria ser quebrada a partir de 1971 quando se apresentou na Europa primeiramente na França com enorme sucesso, dando assim origem a permanentes excursões pelo Velho Continente e lá deixando nove discos gravados. Este material havia de ser reeditado mais tarde nos Estados Unidos pela Alligator de Bruce Iglauer sob o título de ''Pressure Cooker'', o que lhe rendeu a nomeação ao Grammy de melhor gravação de blues de 1986.
A longo dos anos 70, Clarence ''Gatemouth'' Brown tornou-se porta-voz da música americana participando de uma turnê patrocinada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos da América que o levou a países da África Oriental. Uma apresentação no Festival de Montreaux, coroada de sucesso e mais uma turnê pela ex-União Soviética em 1979, consagraram Clarence ''Gatemouth' Brown.
A música refletia a sua determinação em prosseguir as coisas à sua maneira, reconstruindo a carreira, firmado agora era o jazz, o country e mesmo o calypso que dominavam, e dominam, os seus concertos.
Seu valor é consagrado principalmente pelos importantes músicos que Gatemouth influenciou tais como: Albert Collins, Frank Zappa, Eric Clapton, entre vários outros.

mockup