É bom se apressar. Os ingressos para o show de André Christovam, hoje à noite em Londrina, são limitados. Será a primeira visita do grande bluesman brasileiro à cidade. Na bagagem, ele traz uma história de 25 anos dedicados à guitarra.
O show começa às 22 horas no Rock’n’Blues Bar (Av. JK, 472), inaugurando a série ‘‘Confraria da Boa Música’’, que promete oferecer uma atração nacional por mês a seus frequentadores. No palco, André Christovam se apresenta como ‘‘trio’’, acompanhado pelo baixista Fábio Zaganin e pelo baterista Mário Fabre, com os quais toca já há dois anos.
O set vai reunir músicas dos três primeiros discos do guitarrista, canções obscuras de lendas do blues e composições de artistas menos conhecidos como Earl Hooker. As reinterpretações, segundo ele, procuram fugir dos estereótipos da cover. ‘‘Em vez de apenas copiar ou imitar, a gente toma posse das composições buscando ser coerentes com o estilo do artista. Não fazemos xerox’’ – diz ele, por telefone, de São Paulo.
André Christovam anuncia que este será um dos últimos shows com esse repertório. Daqui a quinze dias, ele pretende iniciar os ensaios e trabalhar os arranjos das músicas do novo disco, previsto para chegar às lojas em agosto. ‘‘Banzo’’ será lançado pela gravadora Eldorado. É seu quinto álbum-solo, o primeiro com fortes influências locais. ‘‘Blues não é música para chorar na cerveja’’ – diz. ‘‘É música positiva, alegre. Nesse novo disco procurei explorar as poliritmias, a harmonia e toda a textura da música popular brasileira, que considero a melhor do mundo ao lado da americana’’.
O álbum marca mais uma virada em sua trajetória, até então oscilante entre as raízes do gênero nascido no Delta do Mississipi ao electric blues, fermentado nos bares enfumaçados de Chicago, onde já tocou por uma temporada.
O primeiro disco, ‘‘Mandinga’’, saiu em 1988. Estourou nas paradas com as faixas ‘‘Confortável’’, ‘‘Dados Chumbados’’ e ‘‘Genuíno pedaço de Cristo’’ tornando-se o disco mais vendido do blues nacional. No ano seguinte, veio ‘‘A Touch of Glass’’, com letras em inglês e considerado o mais virtuosístico de sua carreira. Em 1991, lançou ‘‘The 2120 Sessions’’, gravado em Chicago no lendário 2120 Studio, antigo QG da Chess Records por onde passaram mitos como Muddy Waters, Howlin’ Wolf e Willie Dixon.
Depois de um longo intervalo, gravou ‘‘Catharsis’’ em 1997, em que prestou homenagem a seus ídolos de adolescência – Cream, John Mayall, Peter Green e Rolling Stones. Além dessa discografia, seu currículo apresenta outros trabalhos de estúdio, entre os quais um álbum com a banda Fickle Pickle e outro em parceria com o gaitista norte-americano Bruce Ewan. Como músico, tocou ainda com Rita Lee, Kid Vinil e Clara Ghimel.
‘‘Banzo’’, o novo CD, parece apontar novos caminhos para o artista. Para reforçar o sotaque verde-amarelo do disco, ele optou por compor todas as faixas em português. ‘‘Acho necessário, porque o brasileiro gosta de cantar junto. E é bom também para o crescimento do blues nacional’’ – justifica. Segundo ele, o mercado do gênero está estabelecido e em ascensão no país. O principal problema seria a ausência de bons compositores:
‘‘Temos bons guitarristas, bons gaitistas e uma cozinha de destaque. Temos grooves e grandes solistas. Mas é difícil encontrar grandes compositores. É uma carência que precisa ser corrigida, especialmente num país que tem uma tradição rica na música popular. Temos grandes canções de MPB e até do rock nacional, mas não lembramos de nenhuma grande canção de blues’’ – lamenta ele.’
André Christovam está envolvido também com as gravações de um show realizado no mês passado durante o Natu Blues Festival, em Porto Alegre, quando dividiu o palco com o guitarrista Hubert Sumlin. Este foi uma das estrelas do evento, revelando aos fãs um pouco da energia e performance mostrada ao longo da carreira, seja como músico de apoio de figuras do porte de Muddy Waters e Howlin’ Wolf ou como influência confessa de artistas como Jimi Hendrix e Eric Clapton.
‘‘Vou mixar a gravação do show, depois pedir autorização dele para lançar em disco. Talvez, a gente faça uma turnê juntos no próximo semestre na Alemanha. Vai depender de nossas agendas’’ – conta. Os organizadores do show de hoje colocaram 250 ingressos à disposição, além de 20 mesas para quatro pessoas. Talvez, seja a noite mais concorrida do Rock’n’Blues Bar desde sua inauguração.
Serviço:
Show hoje do André Christovam Trio. Horário: 22 horas. Local: Rock’n’Blues Bar (Av. JK, 472). Tel. (43) 345-0615. Ingressos a R$ 10,00 e mesas a R$ 60,00. Vendas no local.

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